Quando a farmacêutica e pet sitter Mariana Portugal resgatou uma gatinha que havia sido atropelada e seria sacrificada, ela não fazia ideia do que a esperava. Brisa passou os dois meses seguintes confinada em um bercinho improvisado se recuperando de duas graves lesões nas patas. Uma delas precisou ser amputada. 

O caso de “mãe” e “filha felina” não é único, apesar de ser uma exceção. A despeito do preconceito, que ainda impede muita gente de adotar um animal com deficiência física, há quem considere esse gesto uma maneira de amar, que transcende qualquer barreira. 

“Brisa é como os demais. Às vezes as pessoas nem reparam que falta uma perna. Sobe no sofá, na cama, na mesa, em árvore”, conta a pet sitter, que tem em casa outros animais de estimação, todos com condições físicas perfeitas: Batatinha, Lilica, Mel, Gigi e “Mulequinha”.

A história da assistente administrativo bilíngue Maria Carolina Gavioli é ainda mais encantadora do ponto de vista da solidariedade e da compaixão. Fascinada pelo livro “A Odisseia de Homero" – narrativa sobre a vida de um gato que, mesmo cego, encarava os desafios e levava uma vida normal –, ela decidiu cuidar de uma gatinha sem olhos, resgatada na casa de uma acumuladora de animais, em Belo Horizonte.

Na época com 3 meses, Sansa não teve dias fáceis no novo lar de imediato. Depois da adaptação, porém, ela voltou a ser completamente normal, assim como os outros gatinhos com quem divide espaço e compartilha carinho. “Ela tem uma personalidade muito própria, vive de tentativa, erro e acerto. Às vezes, morde mais forte os outros gatos e eles revidam. Até se adaptar, batia a carinha nos móveis com muita frequência”, conta a dona da pet, que, hoje, tem 7 meses.

DESEJADA – Carolina sonhava com um gatinho cego; adotou Sansa, que nasceu sem os olhos
DESEJADA – Carolina sonhava com um gatinho cego; adotou Sansa, que nasceu sem os olhos

A psicóloga Fúlvia Macedo Sabino também passou por uma prova de amor. Há quatro anos, ela ofereceu os primeiros cuidados a uma cadelinha atropelada no Viaduto Santa Tereza, em BH. Malu, como foi chamada, peregrinou por 11 veterinários até receber a notícia de que perderia uma pata dianteira. “Todo mundo tem pena, mas, pra mim, ela é perfeita como qualquer cachorro e não exige nada além do que já faço pelos outros”, afirma Fúlvia.

De acordo com a veterinária Adriane da Costa Val, professora na UFMG, cães e gatos costumam se adaptar com facilidade às condições das quais são privados, tais como audição e visão. Casos de amputação, por sua vez, devem ser avaliados com cautela para garantir qualidade de vida ao animal. 

Empresa em BH é especializada em construir cadeiras de rodas para cães e gatos

Há três anos, a ex-estudante de veterinária Patrícia Heloísa Wollenweber Oncken, de 29 anos, tornou-se fabricante de cadeiras de rodas para cães e gatos. Ela é dona da Pés de Pets, que funciona no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Desde 2013, foram fabricadas mais de 280 cadeirinhas, que ajudam pets sem algum dos membros ou com lesões que comprometeram os movimentos a viver normalmente.

Adotar um pet com deficiência pode selar o início de uma grande amizade

PROFISSÃO AMOR - Patrícia Oncken é dona da Pés de Pets e fabrica cadeirinhas de rodas para cães e gatos

"A primeira que fiz foi para atender o coelho de uma amiga. Depois disso, vieram as indicações e novas encomendas. Então não parei mais", conta. As cadeirinhas de rodas custam de R$ 320 a R$ 470 e levam entre 7 e 10 dias úteis para serem entregues.

Mais informações em facebook.com/pesdepets