Gamer que se preze caça pokémon ou só tem olhos para versões modernas de videogames, daquelas que permitem medir forças on-line com outros jogadores ou com realidade aumentada entre os recursos, certo? Claro que não! Tem muito “velhinho” que ainda rende diversão e boas vendas. 

O publicitário Michel Alves Gonçalves, de 31 anos, por exemplo, até hoje mantém ativos um Atari – febre nos anos 80, quando as TVs não tinham controle remoto e a internet era sonho – e o Nintendo (NES), mesmo tendo em casa consoles mais modernos. 

“A abundância de recursos tecnológicos deixou as desenvolvedoras de games um pouco mais ‘preguiçosas’, passando a focar prioritariamente na criação de títulos com apresentação gráfica muito bonita em detrimento de conteúdo e originalidade”, justifica o publicitário. 

A coleção “antiga” de Michel e da mulher dele, a advogada Daniela Lopes Bueno, de 32 anos, é vasta. Inclui ainda Playstation 2,3 e 4 e Nintendo Wii, além dos portáteis PSP e Nintendo DS. E o publicitário avisa: se alguém tiver um Mega Drive e um Playstation 1, é só avisar porque ele se interessa.

“Venho de uma geração que cresceu com a indústria dos jogos eletrônicos domésticos. Cada game está ligado a uma fase da minha vida”, conta. 

Resgate

Apostando no aumento da demanda e investindo mais no marketing saudosista, Nintendo e Atari – duas das maiores fabricantes de jogos eletrônicos do mundo – anunciaram novas edições de clássicos como o NES, primeiro console da marca japonesa e que causou verdadeira revolução entre aficionados por joguinhos com incríveis gráficos em 8 bits. 

No Brasil, a Tectoy acaba de colocar em pré-venda o Mega Drive, comercializado a primeira vez no início dos anos 1990, por R$ 400.

Detalhe é que no relançamento foi mantida a carcaça original do Mega Drive, que, vale lembrar, travou épicas batalhas com o SNES ao lançar jogos com 16 bits. Traduzindo: processador mais potente, melhor jogabilidade, som e qualidade de gráficos. 

O pai de todos, o Atari, também está de cara, roupa e conexão novas, sendo relançado com entrada HDMI para atender à exigência dos modernos televisores.

Mercado de jogos ‘eletrônicos vintage’ é bem lucrativo

Além de despertar a cobiça dos colecionadores, videogames “vintage” movimentam um mercado lucrativo. Enquanto jogos de Xbox One e Playstation 4 podem sair por R$ 250, algumas fitas raras de consoles à moda antiga atingem impressionantes US$ 3.500 – caso de EVO The Search for Eden para SNES.

No caso do NES, o famoso Nintendinho, há um jogo ainda mais raro. Trata-se do Nintendo World Championship: Gold Edition, que foi distribuído para os vencedores de um famoso campeonato disputado em Los Angeles em 1990. O cartucho contém os títulos Super Mário Bros, Rad Racer e Tetris e pode valer US$ 21 mil. Existem apenas 26 no mundo e é difícil saber quantos funcionam perfeitamente.

Velhinhos que ainda são pop

NO JOGO E NO AMOR - Michel e Daniele dividem o mesmo teto e a paixão pelos videogames

Memória afetiva 

O baterista Andre Marcio, da banda belo-horizontina de metal Eminence, também coleciona consoles antigos e modernos. Na casa dele são nada menos do que 17 videogames, contando os portáteis. A lista inclui relíquias como o Atari 1976 Heavy Six, Odissey, Playstation 1, 2, 3 e 4, Xbox360, Xbox One, NES, SNES, Nintendo Wii, Nintendo WiiU, Master System, Game Cube, Game Boy Color, Sony PSP e Nintendo 3DS.

A coleção começou por influência do pai dele, dono de uma loja de informática em 1984. “Ele comprou um Atari 2600. Foi amor à primeira vista”, conta Marcio, que joga os games até hoje. “Existem muitas memórias, pois não era tão comum ter um videogame em casa. Os primos e amigos do bairro sempre se reuniam na casa dos meus pais para ver as novidades, que eram o Philco Pong (telejogo lançado nos anos 70) e depois o Atari 2600”, relembra o músico.

A possibilidade de brincar on-line com amigos ou em comunidades é um bom motivo para se sentir atraído pelas versões mais modernas, confessa Marcio, mas nem de longe passa pela cabeça dele se desfazer dos “velhinhos”.

“Sempre estou jogando campanhas de títulos antigos, tipo Resident Evil ou Silent Hill. Não me adaptei, por exemplo, aos jogos via iPad ou celular por falta de controles. Não gosto de touch”, avisa. 

(*Colaborou Álvaro Castro)