Com os apartamentos cada vez menores, muitas vezes fica difícil arranjar espaço para todas as necessidades dos moradores. Uns querem um cantinho de leitura, outros, um espaço para receber os amigos. E há quem deseje apenas ter um pedacinho verde dentro de casa. Para essas e outras pessoas que têm a sorte de desfrutar de uma varanda, mas não sabem como aproveitá-la bem, a notícia é boa: é possível fazer de tudo, desde que sejam respeitados o gosto do dono do imóvel e o tamanho da área a ser transformada. 

Dica número um: analisar de que tipo de ambiente o imóvel e o dono dele realmente necessitam. Se a carência do apartamento – ou da casa – for por um espaço para receber amigos, a área pode ser conjugada à sala de jantar e ganhar mesa com cadeiras e adega, por exemplo. Segundo a arquiteta e designer de interiores Márcia Mundim, a varanda é um espaço bastante democrático, desde que bem planejada. “Se a ideia é criar uma extensão da sala, sugiro fazer um lounge com sofá. Mas também é possível desenhar uma área gourmet, com churrasqueira e pia”, exemplifica.

Varandas: muito mais que um cantinho para relaxar

Casa espaçosa

Na casa do bairro Santa Lúcia, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, a arquiteta Márcia Mundim optou por demolir algumas estruturas e utilizar viga metálica para “construir” uma cozinha gourmet. O piso foi nivelado para possibilitar o correto caimento da água e o espaço recebeu uma paginação totalmente diferente da original. Para dar praticidade aos moradores e garantir o fechamento da área quando necessário, foi instalado um trilho embutido no chão. Parte da varanda permaneceu aberta, com fácil acesso à área da piscina..

Varandas: muito mais que um cantinho para relaxar

Piso

Em todos os casos, porém, cuidados com o piso e o fechamento, com cortina ou vidro temperado, são fundamentais para garantir conforto e harmonia. Geralmente, as varandas têm piso mais baixo e material diferente daqueles utilizados nos demais cômodos do imóvel. O fechamento, por sua vez, é uma questão de gosto. “Recentemente, transformei uma varanda muito pequena e sem uso no closet da suíte. Nesse caso, precisei fazer o fechamento”, comenta a arquiteta e designer de interiores Valéria Allves.

Áreas muito grandes, por sua vez, podem ter múltiplos usos, desde que setorizadas. É possível, por exemplo, criar um cantinho para as crianças, um espaço para o churrasco em família e até um jardim vertical, tudo ao mesmo tempo. “São pequenos locais para cada necessidade, mas sem a obrigatoriedade de divisórias”, explica Valéria.

A decoradora Iara Santos também ressalta a importância da escolha do mobiliário, que deve ser compatível com o ambiente. Móveis de materiais sintéticos ou madeira tratada são perfeitos para áreas abertas, sujeitas a sol e chuva. “Se a área for muito pequena, também é importante aproveitar as paredes para não diminuí-la ainda mais”, ensina Iara.

Varandas: muito mais que um cantinho para relaxar

Aproveitamento perfeito

A varanda muito pequena do apartamento decorado pela arquiteta e designer de interiores Valéria Alves ganhou a função perfeita quando acoplada à sala de TV. Além de dar sensação de amplitude, o espaço ganhou um nova função com um barzinho de apoio. Para isso, foi necessário nivelar o piso dos ambientes já que, normalmente, as varandas são mais baixas, e usar o mesmo material, nesse caso, mármore. O teto rebaixado com gesso confere mais requinte e a janela ganhou uma persiana de palha tingida, que filtra a luz e garante privacidade. 

Varandas: muito mais do que um cantinho para relaxar

Jardim vertical otimiza espaço e é fácil de ser cultivado

A moda dos jardins verticais também tem sido cada vez mais incorporada à realidade dos brasileiros, “espremidos” dia a dia em micro apartamentos. A vantagem desse tipo de montagem, que dispensa conhecimento muito técnico, é que, além de ocupar pouco espaço e otimizar a decoração, proporciona, na medida certa, o verde tão desejado.

Para os iniciantes, a sugestão do paisagista Droysen Tomich são as suculentas, fáceis de agradar e pouco exigentes, e as bromélias, bonitas e práticas.

Plantas com flor devem ser evitadas por quem não tem tanto tempo para cuidar da área verde. Geralmente, elas necessitam de muita luz e de cuidados especiais para permanecer sempre bonitas. “Como não florescem o ano todo, o ideal também seria fazer a troca da planta de tempos em tempos”, reforça Tomich. 

Nas varandas integradas, que foram incorporadas à sala de TV ou de jantar, as paredes verdes devem ter um sistema próprio de irrigação para evitar que a água da rega molhe o piso. Já quanto à fixação das plantas, não há regras. Os suportes podem ser de madeira, mais rústicos, ou de tela metálica, variando conforme o gosto do morador.

De acordo com o paisagista, qualquer ambiente é adequado para receber tanto jardins verticais quanto vasos avulsos, desde que tenha o mínimo de ventilação e de luminosidade.

Varandas: muito mais que um cantinho para relaxar

Espaço requintado

No projeto da decoradora Iara Santos, a maior necessidade da moradora era integrar a área à sala de jantar, sem perder o “ar” de varanda. A opção foi retirar a parede que dividia os ambientes, mantendo o desnível do piso, mas criando uma espécie de cantinho que pudesse ser utilizado em conjunto com a sala para receber convidados. Apesar do fechamento com cortina de vidro e tela solar, que possibilita conforto térmico, mas mantém a visibilidade da área externa, foram usados móveis de fibra sintética, que duram mais, e um balanço do mesmo material, remetendo aos alpendres típicos do interior. Também foi montado um jardim vertical com base em treliça de ferro, material um pouco mais requintado. A sofisticação ficou por conta do revestimento da parede, em tom de bronze, e dos pendentes.

Varandas: muito mais que um cantinho para relaxar

Hortas são opção prática, mas que exigem dose extra de sol

Opção que também caiu no gosto popular são as hortas caseiras. Quem gosta de cozinhar, então, tem em casa um prato cheio para cultivar vasinhos de hortaliças e temperos, como manjericão, hortelã e tomilho. Mas, apesar de fácil no trato, esse tipo de erva requer, pelo menos, quatro horas de exposição solar por dia. Portanto, quem tem varanda, já tem meio caminho andado.

O recipiente em que as ervas serão plantadas importa pouco, podendo ser potes de cerâmica ou até de plástico e de tamanhos a partir de 15 centímetros de diâmetro e 20 centímetros de altura. 

Assim, explica a paisagista Nãna Guimarães, as plantas se mantêm saudáveis e podem durar até três anos sem que seja necessário fazer a substituição das mudas.

“Mesmo as mais simples, que exigem menos manutenção, como alecrim, hortelã e orégano, necessitam de sol direto. Já as ervas para chá, como o capim cidreira, requerem um espaço um pouco maior para serem cultivadas”, orienta.

Outra dica importante da especialista é não misturar mais de um tipo de planta no mesmo vaso, já que cheiros e até gostos podem passar de uma para outra. 

Fique atento

Em Belo Horizonte, o fechamento de varandas com vidros temperados ou cortinas de vidro tem gerado polêmica. É que a prefeitura considera que a medida amplia a área construída do imóvel, tornando-o incompatível com o projeto aprovado pelo município. Nesses casos, as vistorias, feitas sob demanda, ou seja, após denúncias, podem resultar em multas a partir de R$ 3.099,70, no caso de edifícios residenciais, e de R$ 6.199,40 para não residenciais. 

De acordo com a Secretaria Municipal Adjunta de Fiscalização (Smafis), o proprietário do imóvel notificado tem um prazo de 180 dias para apresentar a Certidão de Baixa de Construção (antigo Habite-se) e comprovar que a alteração não contradiz o projeto original. A multa por incompatibilidade é mensal até a reversão da obra.