Mudanças de emprego podem ser experiências traumáticas e o baque pode ser ainda maior se a renda despencar. Encarar o recomeço – opcional ou forçado – com otimismo e extrair dele o máximo proveito é o que recomendam especialistas para abrir caminhos mais promissores.

“Tão importante quanto ser competente e ter capacidade e talento é saber transformar o local que se ocupa no melhor para alavancar o próximo passo da trajetória profissional”, diz o neuropsicólogo, escritor e consultor organizacional Eduardo Shinyashiki.

Tomar a decisão certa na hora de dizer sim ou não à oportunidade também conta. Segundo a diretora da unidade Minas Gerais da Consultoria Lee Hecht Harrison (LHH), Beth Barros, o salário ofertado não deve ser, sozinho, critério de escolha. É preciso avaliar o momento de vida e carreira, se há reserva financeira e se a oportunidade está dentro da área desejada.

“De fato, a escassez de emprego tem tornado as remunerações mais baixas. O que os profissionais devem considerar é o quanto a falta do emprego, ou seja, o não recebimento de um salário, irá impactar dramaticamente a vida dele próprio e da família”, analisa Beth Barros.

Decisões conscientes

Os passos seguintes ao ingresso na empresa, por sua vez, devem ser firmes e conscientes. Apenas lamentar-se pela baixa remuneração não o levará a lugar nenhum, pelo contrário, fará minar o entusiasmo com o emprego novo e criará resistência com os colegas e o chefe.

“Mesmo que o salário não seja tão bom, se acredito na minha competência, sei que em pouco tempo vou transformar esse no meu melhor projeto”, reforça Shinyashiki.

Mirar uma promoção também é uma alternativa para manter o entusiasmo em dia. Antes de mais nada, porém, é preciso considerar o momento financeiro pelo qual passa a empresa e ter cautela ao vislumbrar um aumento. Do contrário, o desejo de crescimento profissional pode acabar como um tiro no pé.

“O funcionário precisa ter consciência da hora certa e deixar claro de que está consciente da situação. Muitas empresas têm trabalhado no limite da lucratividade. Para se tornar indispensável, é preciso assumir a postura de dono do negócio e não alimentar o sentimento de insatisfação”, afirma o consultor organizacional Eduardo Shinyashiki. 

Além disso:

Mais do que manter o entusiasmo com a nova colocação e enxergá-la como uma oportunidade de mostrar o potencial em serviço, é importante ficar de olho à conta bancária para não perder o controle das finanças. O consultor do site de educação financeira do Mercantil do Brasil, Carlos Eduardo Costa, de Belo Horizonte, ressalta que a atenção aos dividendos e gastos deve ser inversamente proporcional ao quilate do salário, ou seja, quanto menor a renda, maior a necessidade de controlá-la.

A dica número um é escolher um método de monitoramento, que pode ser um aplicativo de celular ou uma planilha manual, por exemplo. “O segredo é não confiar só na memória. As contas grandes são mais fáceis de guardar, mas as que acontecem ao longo do mês são mais difíceis. Acabamos caindo na armadilha de subestimar os cálculos”, alerta.

Feito o controle, é hora de pensar nas exceções, verificando se o volume de despesas está adequado ao novo padrão de renda. Nesta hora, cortes estratégicos e pontuais, como da assinatura de TV a cabo e reduções no pacote da academia, devem ser considerados. O macete é pensar no que não é necessário para a sobrevivência.

“Não existe segredo, a regra é muito simples. A dificuldade das pessoas é não querer aplicá-la. A fórmula é matemática e não aderir a ela levará ao uso do cheque especial, do limite do cartão e ao endividamento”, diz.

"Não coloque atenção só no que não tem, mas em sua própria capacidade de criar momentos especiais” - Eduardo Shinyashiki, consultor organizacional