Aos olhos dos concorrentes, o prato escolhido para fazer bonito diante dos jurados poderia parecer clichê. Mas nas mãos da estudante de gastronomia Liliana Dias Brum, de 31 anos, uma versão contemporânea do frango com quiabo e angu não só conquistou o paladar como desbancou adversários. 

Releitura da tradicional receita mineira, a criação, preparada em uma hora pela mineira de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, rendeu à cozinheira o prêmio de melhor prato do 1º Iron Cheff de Itabira – Festival Gastronômico. 

Primeira competição de culinária disputada pela aspirante a chef – estudante do 2º período nas Faculdades Promove de Belo Horizonte –, o evento revelou o talento da moça para pilotar o fogão. Há apenas um ano, ela decidiu jogar para o alto a profissão de enfermeira e encarar o novo ofício, aprendido com a mãe e, agora, aprimorado em sala de aula. 

Inscreveu-se no concurso uma semana após perder o emprego e, mesmo sem esperar o prêmio, levou o troféu para casa. “O concurso era muito mais para testar meus conhecimentos e adquirir experiência. Foi tudo muito sem pretensão de ganhar”, assume Liliana. 

A estudante foi contemplada com R$ 5 mil, bolsa de 80% para concluir o curso de gastronomia no Promove e um convite precioso: fazer estágio na cozinha do Clandestino, em São Paulo. O restaurante é comandado pela chef Bel Coelho, uma das juradas do concurso, bam-bam-bam da alta gastronomia contemporânea. 

Gastronomia, prato

ÁGUA NA BOCA - Prato principal da estudante levou contra-coxa de frango, quiabo no azeite, banana verde frita, angu de milho e molho de campanha em pétala de cebola; entrada e sobremesa foram trouxinha de taioba com ragu de linguiça e broa de milho com goiabada, ambas com queijo canastra

“Independentemente do resultado, o que os chefs falaram valeu muito mais do que qualquer prêmio e troféu. Ouvir de uma pessoa que tem tantos anos de cozinha, programa de TV e um sucesso enorme que meu prato foi o melhor da noite e que queria comê-lo até o fim não tem preço”, comemora a iniciante. 

Nos próximos dois meses, Liliana pretende ir para São Paulo aprender com Bel Coelho. Na sequência, partirá para Portugal, aproveitando o prêmio em dinheiro e os convênios mantidos pela escola de BH. Depois de formada, deseja abrir um restaurante com atendimento em horário estendido em BH.

Coordenador do curso de gastronomia do Promove, o chef Jackson Cabral credita a vitória da estudante à dedicação e ao interesse pelo novo. “O que fez a diferença nela foi a criatividade. O mais importante na profissão é ter foco, estudar, ler revista, acompanhar chefs de cozinha. A partir daí, adquire-se uma facilidade maior para preparar o que será o diferencial, o inovador”, afirma.