Estamos diante de uma variedade expressiva de produtos alimentícios, a qual é fruto de um progresso tecnológico que abraça tanto a produção quanto a oferta de alimentos no mercado. Em paralelo a essa diversidade de alimentos há, também, uma preocupação por parte do consumidor quanto à qualidade.

Com essa ideia em mãos, podemos dizer que, por um lado, esse progresso tecnológico tem ajudado na qualidade, padronização e, até mesmo, confiança sobre o que se está consumindo. Mas, por outro lado, há quem diga que todo esse ‘movimento’ tem gerado preocupações quanto à origem do alimento. 

Essa preocupação pode ser observada no mercado pelo aumento da procura por produtos cuja procedência seja conhecida dos consumidores. Esse comportamento do consumidor pode ser exemplificado pela significativa procura por produtos considerados artesanais e que possuem um valor cultural diferenciado em relação aos produtos alimentícios industrializados. Para muitos consumidores, esses valores podem ser expressos por meio da relação mais próxima com o produtor, dos aspectos históricos e tradição, do modo de vida, dos símbolos e do imaginário que compreende a alimentação. Afinal, alimentação também é cultura.

Isso nos ajuda a entender que o alimento, de uma maneira geral, pode estar inserido em dois tipos de mercados. O mercado ‘formal’, que reforça as questões relacionadas a padrões de qualidade, regulamentos e exigências técnicas aos produtores e respectivos produtos, e o mercado ‘informal’, que tem como base as relações sociais entre consumidor e produtor, entre o consumidor e o próprio alimento e os valores culturais que envolvem a alimentação. Esse mercado ‘informal’ pode, ainda, ser entendido como aquele no qual os processos de produção e a comercialização dos produtos não atendem, plenamente, às exigências legais ou formais do ambiente institucional no qual estão inseridos.

Lembro que esse conceito, ‘mercado informal’, aqui ora denominado, não quer dizer ilegalidade, clandestinidade ou qualquer outra atividade irregular. Trata-se de um ambiente onde os aspectos culturais e sociais são mais valorizados do que os atributos técnicos relacionados aos produtos, tal como o mercado ‘formal’ ressalta. Bons exemplos de produto e lugar, que contextualizam toda essa discussão sobre a alimentação no mercado ‘informal’, são o queijo Minas artesanal e o Mercado Central de Belo Horizonte.

O que estamos dizendo, e que faz todo sentido quando conversamos com as pessoas nas principais feiras e mercados, é que para segmentos de consumidores, esse significado cultural, a tradição, o valor histórico, os símbolos e a relação entre os atores sociais é que influenciam na valorização e no consumo do produto. É o ‘mercado informal’ que vem explorando os sentidos dos consumidores. Pensando nisso, repito, precisamos explorar os valores culturais e mercadológicos dos nossos alimentos.