Adeus, Róger Guedes

Aqui é Galo! / 11/06/2018 - 18h23
guedes

 

 

A saída precoce de Róger Guedes do Atlético me remete à época em que, adolescente, paquerava a moça da padaria, ao lado do meu colégio. Sabia que a Flávia era um pouco mais velha, mas a maneira sempre sorridente como me recebia e se interessava pelas matérias que eu, nerd, estava estudando (vivia com livros embaixo do braço) já me levava a sonhar com um relacionamento promissor.

Todos os meus colegas ficaram sabendo da minha paixão, pura e tímida. De repente, a padaria passou a receber vários deles, aumentando a arrecadação do Seu Agenor, um típico portuga mal-educado que fazia troça das minhas pretensões. Até o dia que o Gustavo, despachado como era, a chamou para sair e a Flávia aceitou. Fim da história. Fui, por assim dizer, a vitrine, no pior sentido da palavra, para a padaria e para o Gustavo.

Semanas atrás a procurei nas redes sociais: Flávia não envelheceu bem. Não que eu torça para  Guedes perder o viço que tem demonstrado no Galo, mas a realidade que o futebol de terceiro mundo nos apresenta é triste, roubando nossos ídolos antes mesmos deles se firmarem como tal. Se continuasse fazendo tantos gols e chegasse ao fim do Brasileirão como artilheiro absoluto, ele certamente entraria para a galeria dos imortais.

 Jogadores machucam ou entram em fases terríveis de jejum, mas tenho a convicção de que Guedes iria longe, por ter finalmente se encaixado no estilo de jogo do Atlético e vencido um dos maiores desafios que um atleta pode enfrentar: a descrença de todos. No início do ano, ele foi quase devolvido para o Palmeiras. O atacante deve muito ao empenho de seus companheiros de clube e, numa situação adversa, talvez estaria hoje na série B.

O Atlético virou essa vitrine porque quis, aceitou que fosse assim quando assinou o contrato com o Palmeiras – além de ganhar muito dinheiro, os paulistas tirarão um dos principais jogadores de um dos rivais ao título. Somente Alexandre Gallo acreditou que não correria riscos. A transformação de Guedes foi meteórica, assim como a sua passagem pelo Galo, digna das reviravoltas dos filmes.

Ao lado de Ricardo Oliveira, formou um dos ataques mais mortíferos do Atlético desde 2013 e 2014, quando tínhamos Jô – outro expurgo, tão problemático quanto, que renasceu das cinzas com o manto alvinegro -, Diego Tardelli, Bernard e Ronaldinho Gaúcho. Depois tivemos Lucas Pratto, Robinho, Fred... Nenhum deles fez o Independência se maravilhar como no domingo passado, diante do Fluminense.

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