Agora sim, o Galo ganhará a Libertadores!

Aqui é Galo! / 30/07/2017 - 10h43
Micale

 

 

 

Lembram-se daquela motoquinha aborrecida do desenho “Carangos e Motocas” que não parava de dizer "Eu te disse, eu não te disse? Te disse!", sempre quando a sua turma se metia em alguma confusão (o nome dela era, por sinal, Confuso)? Estou igualzinho.

Meus amigos atleticanos, que sempre estavam com a avó atrás do toco em relação ao desempenho de Roger Machado, cansaram de me ouvir alertando que, ao trocar de técnico entre dois jogos de mata-mata, o Atlético seria eliminado.

Foi assim em 2014, quando perdeu para os colombianos do Atlético Nacional fora de casa, por 1 a 0, nas oitavas de final da Copa Libertadores. A diretoria do Galo nem esperou Paulo Autuori deixar o hotel de Bogotá para anunciar a sua demissão.

Na partida de volta, os mineiros agora comandados por Levir Culpi empataram em 1 a 1, sofrendo o gol da desclassificação aos 42 minutos do segundo tempo, marcado por Duque, título nobiliárquico de pouca expressão se levarmos em conta que, do outro lado, havia reis como Ronaldinho Gaúcho e Diego Tardelli.

No ano passado, foi a mesma coisa, com a diferença dos mandos e placares trocados. Na finalíssima da Copa do Brasil, diante do Grêmio, Marcelo Oliveira foi comunicado de seu desligamento após a equipe amargar uma derrota por 3 a 1 no Mineirão, que teve um gol adversário aos 45 da segunda etapa.

Diego Giacomini assumiu o timão, como técnico tampão e Roger Machado já apalavrado para a temporada 2017 – o mesmo que montou o grupo vencedor gremista. O Galo jogou bem, mas não conseguiu arrancar mais do que um empate de 1 a 1. De boa lembrança, apenas o golaço de Cazares do meio de campo.

Na quarta-feira passada, a história era um pouco diferente. Saímos na frente no primeiro jogo das quartas de final da Copa do Brasil, fazendo 1 a 0 no Botafogo, no Independência. Quase um mês depois, já sem Roger, o Atlético acabou tomando de 3 a 0 no Rio.

Na beirada do campo estava Rogério Micale, que só teve dois dias de treinamento com o grupo atleticano. Brinquei com amigos que trocamos um RM por outro RM, simplesmente. Na Bíblia, RM é uma abreviação para Romanos, o sexto livro do Novo Testamento.

Em Romanos, o discípulo Paulo destaca a importância da fé para a salvação. No Galo, faltou exatamente aquela energia do “Eu acredito!” para criar viradas espetaculares, como se os 11 jogadores estivessem conectados e o gol fosse uma questão de tempo. Atualmente, além de não chegar ao gol, a bola parece nem querer se aproximar dos jogadores.

Apesar do meu desânimo com a acentuada queda do Atlético na temporada, tenho duas boas notícias a dar aos atleticanos. Não é preciso ser mãe Dinah para prever que algum nome do elenco do Botafogo vai pintar no Galo de 2018. Já até podemos escolher – eu prefiro o Jair Ventura, disparado.

Depois do golaço marcado para o Atlético Nacional, no primeiro confronto, o meia Cárdenas foi contratado no ano seguinte. Não fez muita coisa. Em 2015, o Galo foi eliminado do torneio continental pelo Internacional do técnico Diego Aguirre, que veio para Minas poucos meses depois. Voltou para o Uruguai sem conquistar nenhum título.

Roger Machado iniciou 2017 com a expectativa de repetir o mesmo equilíbrio entre defesa e ataque promovido no Grêmio. Muitas contusões e rendimentos pífios de medalhões depois, também sucumbiu, mas conquistou o Campeonato Mineiro e deixou o Atlético com o time de melhor desempenho na primeira fase da Libertadores.

Outra notícia é que Micale ganhará a Libertadores – desse ano, sim senhor. Quando Levir Culpi assumiu o Galo, em 2014, ele se consagrou nas duas competições seguintes: Recopa e Copa do Brasil. Roger, por sua vez, levantou a taça do Mineiro com méritos.

A única dúvida é se competição não oficial também entra nessa estatística. Com Roger, o Galo não faturou o Florida Cup. Mas como não dá muito para confiar na fase atual do Atlético, tudo pode acontecer e vir o título da Primeira Liga, cuja decisão acontecerá antes das finais da Libertadores, em outubro.

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