Ascendente em Fábio Santos

Aqui é Galo! / 27/03/2018 - 14h57
Fabio

 

 

Os jogadores da conquista da Libertadores estarão, claro, na galeria de afetividades de qualquer atleticano. Do time atual, Victor, o milagreiro, e Luan, o pulmão de aço, têm grande favoritismo por conta desta relação com o título de maior expressão do clube.

Daí em diante os nomes podem mudar, como Léo Silva, Cazares, Otero, Adilson e Elias. No meu caso, o preferido é Fábio Santos. Não porque marcou dois gols contra o América, sendo o principal responsável por levar o Galo a mais uma final.

Se alguém inventar uma espécie de horóscopo do futebol, eu diria que o meu ascendente é o lateral-esquerdo. Minha mãe, que não passa um dia sem saber o que seu signo lhe reserva, sempre falou que o ascendente é o que revela aspectos de nossa personalidade.

Nesse sentido, tenho em comum com o Fábio Santos, acima de tudo, a regularidade. A última vez que precisei me ausentar de algum trabalho foi há 13 anos, quando quebrei o pé. E mesmo assim não aguentei ficar em casa e compareci ao meu posto de gesso e muletas.

Confesso que, a cada vez que vejo Fábio Santos no chão, penso comigo que aquele será o dia em que o jogador sairá de maca e não voltará mais. No domingo, foi assim. Pouco depois de participar de uma dividida e se contorcer de dor, ele já estava pronto para outra.

Imagino o doutor Rodrigo Lasmar ou Otaviano Oliveira correndo e pensando algo do tipo: “Lá vai eu correr à toa até o outro lado do campo”. Deve haver uma aposta no DM, clandestina claro, em que o valor sobe a cada vez semana que Fábio não se machuca.

Se o lateral fosse chefe de segurança nestas empresas em que há grandes índices de acidentes de trabalho, o problema não só estaria resolvido como a possibilidade de receber um certificado ISO qualquer coisa seria de quase 100%.

Depois que andei num carro que usa eletricidade quando em baixa potência, não levando o motor à combustão, pensei em sugerir à montadora para trocar o nome para Fábio Santos – ou algo mais singelo, como FS. Economizar energia é com ele.

Lembro de uma entrevista dele, após um jogo do Galo na altitude, em que o lateral explicou seu “mecanismo de compensação interna”, economizando energia quando não está com a bola. No deserto do Saara, seria uma espécie de camelo.

Ele se destaca mesmo no momento em que o time vive um deserto de criatividade. Não lhe falta empenho e vontade, do jeito que a torcida gosta. E apoia tão bem quanto ajuda na marcação, sem permitir que se crie uma avenida Marcos Rocha do lado dele.

Fábio pode não ser um ídolo, mas quando vejo meu filho dobrando a parte de baixo do short, igualzinho ao jogador, nas peladas de terça à noite, percebo que influência dele se dá de outra maneira, pela postura exemplar mostrada em campo.

E pensar que, em outros times, ele sofreu graves contusões e foi vaiado pelos torcedores. Só teve seu futebol reconhecido quando vestiu a camisa do Corinthians, servindo à Seleção Brasileira na época. Como um profissional correto e regular, talvez goste do preto no branco.

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários