Carne de segunda

Aqui é Galo! / 12/01/2018 - 07h20
cortes

 

 

 

Deixei R$ 50 na mesa para as compras no açougue e pus o meu celular em modo avião, para não receber nenhuma mensagem ou chamada. Se o volante Elias estiver certo – ele postou recentemente que “menos é mais”, possivelmente, assim entenderam os atleticanos, uma referência à saída de jogadores de ponta como Fred, Robinho e Marcos Rocha – tanto o Galo como o freezer de casa ganharão muito com pouco.
 
Apesar da desconfiança da torcida, o Atlético economizou uns bons milhões com a troca do trio por nomes de “segunda”, como Arouca, Erik, Roger Guedes e Samuel Xavier. E não precisa ser expert em culinária para saber que comer acém, fraldinha e costela têm as suas vantagens. Essas carnes são mais duras, com maior concentração de gordura. Exatamente o que faltou no Galo em 2017: solidez e coesão.
 
Pode ser mais refinado ter um filé mignon no prato, mas o sabor muitas vezes não corresponde ao valor empenhado. Os cortes até mereciam ser chamados de primeira na última temporada, mas o “resultado” em campo não passou de uma carne de pescoço. A minha vontade era de fazer picadinho deles. A carne de segunda provêm de partes do boi responsáveis pela locomoção e pela sustentação, garantindo resistência.
 
Para um campeonato tão longo como o Campeonato Brasileiro, principal objetivo do Galo neste ano, é preciso aguentar o tranco, com entrega total e, ao mesmo tempo, menos visitas ao DM. Uma equação difícil, mas que o Corinthians calculou bem em 2017. O Timão, é bom que se diga, também não disputou a Libertadores e, por isso, teve bastante gordura para queimar – uma característica das carnes de segunda.
 
Com um elenco de renegados, o Grêmio pintou como um bife que parecia duro de mastigar no início e, nas mãos de um churrasqueiro gaúcho, deixou água na boca ao final do ano, com o título da Libertadores. Não por acaso, os cortes de segunda são na parte dianteira, o que é um ótimo sinal para o Atlético, que terá atacantes como Roger Guedes, Erik e Ricardo Oliveira – este sim, a imagem da resistência em forma de gols.
 
O mais importante, independentemente se é carne de primeira ou de segunda, é o preparo. Meu pai, que odeia frango desde sempre, saboreou com gosto as almôndegas feitas pela Beth. Claro, ninguém falou que o recheio era de frango e os temperos ajudaram a disfarçar o sabor característico. Com Oswaldo de Oliveira como chef, esperamos que seja mais um a desmistificar os cortes de segunda – ou então iremos para outro tipo de Segunda.
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