Entressafra

Aqui é Galo! / 18/06/2017 - 13h14
Robinho

 

 

Só não foi um junho realmente vermelho por conta do Galinho, que conquistou o título da Copa do Brasil Sub-20 diante do Flamengo. Se cada resultado das últimas semanas se refletisse na Bolsa de Valores, como as declarações bombásticas de Joesley Batista, as ações do Atlético estariam em queda livre, desvalorizadas com a estagnação do time na parte de baixo da tabela do Campeonato Brasileiro.

Num mês dedicado ao incentivo à doação de sangue, faltou, como diz o locutor Mário Henrique Caixa, aquele “sanguinho” nessa equipe, que entrou em entressafra, período da produção agrícola em que, após a colheita (título do Mineiro e primeiro lugar geral na fase de grupo da Libertadores), permanece num período de descanso até que condições climáticas favoráveis se estabeleçam novamente.

O time de Roger Machado parece viver de ciclos curtos e intensos. A frequência com que as pragas (lesões) atacam o cultivo parece ser a única defesa para um grupo sem defesa. A direita já ganhou tantas caras que, se fosse um livro sobre política brasileira, representaria mais de 100 anos de história. Mesmo outras formas de cultura como a endívia (Valdívia, digo) ainda não surtiram o resultado desejado.

A endívia, mais conhecida como chicória ou escarola, era usada por gregos e egípcios, na Antiguidade, em poções de cura. O meio-campo atleticano, porém, carece de um médico urgente, por seus problemas na articulação. Dizem que o espinafre corrige esse problema, o que explica o fato de o marinheiro Popeye ser tão forte. Enquanto isso, a equipe vai sendo espinafrada, mesmo com He-Man em campo.

Há, por sinal, muita dúvida sobre a origem da palavra espinafrar, que, aparentemente, nada tem a ver com a hortaliça. Seria por causa da semelhança com espinho ou porque, entre os portugueses, espinafrar quer dizer ficar tão alto e magro como um espinafre? De fato, o futebol do Galo ficou bem magro, representado pela queda de gols de Fred, o bicho-papão dos goleiros no primeiro quadrimestre.

Roger Machado deve buscar os alimentos para pressão, que tem sido grande por parte da torcida e dos jornalistas. Mãe avisa que o abacate é excelente, mas deve ter o cuidado para não virar uma guacamole, prato típico da culinária mexicana. Nesse caso, eu prefiro o pico de gallo, também originário do país da América do Norte. Com a ausência dos times mexicanos dessa Libertadores, a caminhada teoricamente está mais fácil.

O Atlético passou por alguns sufocos contra os chicanos, diante do Tijuana e do Atlas. Em quatro jogos, não alcançou nenhuma vitória (foram dois empates e duas derrotas). Contra o coletivo de mapas, os mineiros perderam mesmo o sentido de casa, sofrendo a primeira derrota na Libertadores desde a reinauguração do Independência, em 2012. E o momento não era diferente de agora: muitas contusões e cansaço.

Por esses caminhos tortuosos do destino, Alex Silva, que estava no América e voltou para o Galo após as contusões de Marcos Rocha e Carlos César, é o titular da lateral-direita. Deverá estar no time que começará jogando contra o Jorge Wilstermann, adversário boliviano das oitavas-de-final. Do outro lado, estará também um Alex Silva, o zagueiro campeão brasileiro em 2006 e 2007 pelo São Paulo.

O veterano está bem, embarcando nas boas asas do Wilstermann, nome do primeiro piloto civil da Bolívia. O homônimo mais jovem é capaz de voos altos, como o cruzamento na medida para Fred marcar diante do Avaí, mas vez ou outra entra em turbulência, deixando os torcedores temerosos. Das muitas mudanças no grupo, devido às contusões, continua sendo aquela que mais me agradou.

Depois de ver o Galinho levantando a taça da Copa do Brasil sub-20, tenho esperança de que alguma coisa boa está sendo plantada e pode dar frutos brevemente. O goleiro Cleiton, em especial. Sério e concentrado, o arqueiro defendeu três pênaltis na final, mostrando as mesmas qualidades de seu ídolo Victor nesse tipo de cobrança. Esperança e fé são duas características que a Massa aprendeu a cultivar. 

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