Faltam cinco

Aqui é Galo! / 02/07/2017 - 10h19
Fred

 

 

Fui um dos poucos a comemorar a expulsão de Fred, no primeiro confronto com o Botafogo pela Copa do Brasil. Um vermelho para o número 9 é garantia de títulos e bons resultados. Exagero? Além do Campeonato Mineiro deste ano, quando foi expulso diante do Cruzeiro, ele também foi embora mais cedo na campanha do título da Primeira Liga, conquistado pelo Fluminense em 2016.

 

Fred levou o cartão na estreia, contra o Atlético Paranaense, não pôs o pé mais na bola dentro da competição, mas o Fluzão voltou a enfrentar o Furacão na final e, dessa vez, levou a melhor. No Brasileiro do ano passado, o Galo não foi campeão, mas ficou entre os classificados para a Copa Libertadores, após o jogador ser expulso contra o Figueirense.

 

Uma curiosidade que une os dois jogos de 2017 é a presença do árbitro mineiro Igor Junio Benevenuto. Foi ele quem apitou aquele clássico no Mineirão, tirando o craque de campo após ele soltar um soco no zagueiro Manoel, e também serviu de regra três na quinta-feira, vendo o colega paraense Dewson Freitas repetir o mesmo gesto de dois meses atrás.

 

Da próxima vez que ficar frente a frente com Igor novamente, talvez seja melhor o artilheiro do Galo já “pedir para sair” antecipadamente, podendo Léo Silva fazer o papel de capitão Nascimento. O engraçado da história é que, na língua italiana, Benevenuto quer dizer “bem-vindo”. Não sei qual é o equivalente em chinês, mas o vermelho é muito bem-vindo no país oriental.

 

A cor representa alegria e fortuna, a tal ponto que, quando casam, as noivas preferem usar vestido vermelho, além de pintar as paredes nesses tons. Mudou o ano, nada de branco também. Com tantos predicados, influenciou ainda na escolha de um famoso refrigerante. O melhor mesmo é saber que a cor é boa para espantar mau-olhado. Quem sabe assim Fred volte a marcar gols.

  

O jogador não sabe, mas o vermelho o cerca desde a saída do CT do Galo. Afinal, Roger (Machado e Bernardo) e Robinson (Robinho) são nomes que significam “vermelho” em outras línguas. Um dos maiores goleadores do Campeonato Brasileiro, Fred gostará de saber que o vermelho é a cor preferida da monarquia, porque, em outros tempos, era mais caro pintar tecidos nessa cor.

 

O que me agrada saber, após pesquisar na internet, é que o vermelho representa duas energias vitais do homem: fogo e sangue. Foi só mostrar um pouquinho disso, a partir do exemplo dos reservas, contra a Chape, que as coisas melhoraram. Estava em Ouro Preto e as primeiras notícias não foram positivas, ao saber da contusão do goleiro Giovanni no aquecimento.

 

Com Victor poupado e Uilson machucado, a missão de defender o gol atleticano ficou com Cleiton, campeão da Copa do Brasil sub-20, em sua estreia com a camisa do profissional. Tinha acompanhado o jogo decisivo dos meninos, diante do Flamengo, e fiquei impressionado com a atuação de Cleiton, defendendo duas cobranças no lado do campo em que os flamenguistas só faltavam jogar pedra.

 

Ele não só mostrou muita tranquilidade como, na entrevista pós-jogo, disse que poderiam estar 50 mil torcedores gritando ali que nada o faria tirar a concentração da partida. A prova de fogo foi, poucos dias depois, entrar em campo pelos profissionais. Saí do cinema e fui correndo para o hotel, em busca de uma televisão. Mas não havia outro canal que não um transmitindo UFC.

 

Liguei o rádio do celular e fui jantar ali perto, tenso porque, em sua primeira partida como titular, Rodrigão se machucou aos quatro minutos. O time parecia se desfacelar, aumentando a sensação de que o DM do Atlético possui uma espécie de ímã, para onde, em determinada parte da temporada, são levados jogadores aos montes, obrigando técnicos a improvisarem.

 

Meu celular resolveu fazer suspense, deixando um “até logo!” depois que Marlone abriu o placar. Estava vacinado contra empates e viradas tomados nos últimos jogos, por isso não me empolguei. Seria até de esperar em vista de um grupo pouco entrosado. Ao voltar para o hotel, finda a partida, descobri que o resultado não só permaneceu como o time atuou bravamente.

 

Penso se essa luta não inspirou os jogadores poupados que retornaram para enfrentar o Botafogo, que, mesmo com Fred expulso, também puderam comemorar o 1 a 0. O Atlético antes parecia ter entrado em modo “stand by”, com pouca corrente elétrica passando por eles. Que seja igual ao meu Fiat Uno 1992: depois de esquentar por 10 minutos, acelera como poucos na rua. 

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