Leve-me aos líderes

Aqui é Galo! / 27/04/2018 - 06h00
ricardo

 

Na sala de cinema, após ver cada espectador com a camisa de seu super-herói preferido, fazendo uma torcida especial por ele, senti como se estivesse num jogo de futebol, repetindo interjeições e me agarrando na cadeira à espera daquela lição que todo mundo sabe de antemão: a união faz a força, especialmente diante de um inimigo tão poderoso.
 
Não estou falando exatamente do Atlético e de seu rival deste domingo, o Corinthians, campeão brasileiro de 2017, atual líder da competição após levantar o título paulista diante do endinheirado Palmeiras. Até porque, no caso de “Vingadores: Guerra Infinita”, o parâmetro mais próximo seria a Champions League ou o Campeonato Espanhol, que reservam emoções constantes.
 
O time atleticano ainda vive altos e baixos em 2018, tentando acertar o prumo com uma legião estrangeira de jogadores emprestados por outros clubes, mas a reunião de cinco jogadores experientes do grupo para ajudar um integrante rebelde, Róger Guedes, me acendeu uma certa esperança. Este tipo de movimento é raro no futebol e mostra uma visão de conjunto.
 
Nunca fui bom nessas teorias saídas do mundo de negócios, mas sei que liderança se exerce quando você busca um resultado, motivando os demais para esse objetivo. E o que Victor, Léo Silva, Elias, Fábio Santos e Ricardo Oliveira fizeram foi dar uma segunda chance ao jogador que estava na linha de tiro da direção alvinegra, que chegou a apontar a porta de saída para ele.
 
Num momento em que a diretoria é contestada e o técnico nunca sai da posição de interino, o surgimento de uma outra liderança, independente e forte, é como escrever uma narrativa de filmes de super-heróis. Quando o planeta está dividido e os governantes sem ação, a salvação pode vir da reunião destes seres estranhos, inteligentes e habilidosos.
 
Não por acaso, para quem acredita em mensagens cósmicas, cada um dos líderes representa um setor do campo: goleiro, zagueiro, lateral, meio-campo e ataque. Interligados e com o mesmo propósito, ganham uma forma coesa e quase indestrutível, algo que está essência de qualquer grupo de super-heróis como os Vingadores e a Liga da Justiça.
 
Embora meu super predileto seja o Batman, o nome Vingadores tem muito mais a ver com o Galo, presente no hino e na alma atleticana, em que o sentimento vingador tem um quê de superação. É exatamente o que o time precisa agora, a partir de seus cinco elementos principais – cinco também são os sentidos e as fases de energia, segundo a medicina chinesa.
 
Leituras filosóficas que estão na base dos grandes heróis. Por este prisma, um jogador de estopim curto como Róger Guedes pode muito bem ser o Hulk da turma, usando a sua fúria por uma causa nobre. Assim como a integridade do Capitão América cai como uma luva no pastor Ricardo Oliveira. Fábio Santos, por sua regularidade, seria o nosso Homem de Ferro.
 
E, como qualquer fã de quadrinhos, só nos resta torcer e esperar. A sorte, que deve ficar sempre do lado dos mocinhos, já deu as caras algumas vezes, se não em campo, pelo menos no sorteio dos adversários da Copa do Brasil – após o Ferroviário, o Atlético enfrentará a Chapecoense, justamente o time de menor tradição entre os que se classificaram para a Libertadores.
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