O medo dos jogadores diante do pênalti

Aqui é Galo! / 12/09/2017 - 17h41
Robinho

 

 

Passar uma semana em Gramado, na serra gaúcha, com temperatura beirando zero grau, seria suficiente, imaginava eu, para congelar os tropeços seguidos do Galo nos últimos meses, como se eles pudessem ser enterrados sob a superfície da Antártida e só descobertos centenas de anos depois.

 

Para meu azar, a cidade do chocolate e do festival de cinema economizou no frio. Os charmosos termômetros de rua enlouqueceram, com um deles mostrando 60 graus celsius, a sensação térmica de quem viu o Atlético diante do Palmeiras esforçando-se para não marcar gol.

 

O Galo de 2017 é um time misericordioso e benevolente. Não gosta de tirar vantagem quando está superior numericamente. Tanto é assim que, no sábado, jogou melhor no 11 contra 11. Bastou o Verdão ficar sem dois jogadores para a equipe esquecer o que fazer com a bola.

 

Contra o Santos, foi a mesma coisa. Bastava um chute qualquer, de longa, média ou longa distância para liquidar a partida. O goleiro Vanderlei estava machucado, com um problema nas costas que o impedia de realizar os movimentos normais. O Galo não só encolheu as pernas como permitiu o gol santista, nos minutos finais.

 

Como bom anfitrião, assim como os motoristas gramadenses que param os carros a todo momento para você atravessar, o Atlético concedeu aos bolivianos do Jorge Wilstermann a honra de não perder no Brasil, algo que nunca havia acontecido até então na história da equipe na Copa Libertadores.

 

Já vimos muitas partidas heróicas do Galo nos últimos cinco anos. E agora não tem sido diferente. Só que do lado contrário. É como se estivesse na posição do Olimpia, quando Giménez cobrou o pênalti que acertou a trave direita e deu o título de campeão da Libertadores para o alvinegro, em 2013.

 

Naquele dia, ainda no Mineirão, o técnico Cuca gritou para quem quisesse ouvir: “Não tem mais azar p... nenhuma”. O procurador da República Rodrigo Janot também deve ter anulado a declaração dele, já que o azar passou a ser a peça mais eficiente do grupo atleticano.

 

Que o diga Fred, que acertou a trave quando Fábio Santos marcou de pênalti, diante do Palmeiras, e a bola voltou para o atacante. Fred está em litígio com o gol, divorciando-se da sorte que sempre o acompanhou. Onde quer que estivesse, a redonda o procurava, à espera de um “carinho”.

 

O problema não está só com ele, claro. Para Gramado, levei uma mala abarrotada de blusas de frio, quase ultrapassando os 23 quilos permitidos. Praticamente nada foi usado. Era como o Galo do início da temporada, cheio de grandes nomes e reforços que acabaram não vingando meses depois.

 

Na recepção do hotel, havia uma estátua de cera de Messi. No segundo dia, quando levei minha câmera para uma foto ao lado do craque argentino, ele já não estava mais lá. O futebol inspirado, ainda que numa pequena fração, parecia fugir de qualquer atleticano que atravessasse o seu caminho.

 

E na tela do Palácio dos Festivais, a exibição do filme “João, o Maestro” me fez ter saudades de Ronaldinho Gaúcho, regente de um time afinado e que, no momento de sufoco, batia no peito e chamava a responsabilidade. Era bola no pé. Nada de “chuveirinhos” improdutivos.

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