Tragam os garotos de volta para casa

Aqui é Galo! / 29/09/2017 - 06h00
bomba

 

 

Saí do meu bunker ontem, por volta do meio-dia. Subi o periscópio, destes que os submarinos têm, para tentar dimensionar o estrago feito em volta, pior que o furacão Irma, superior aos testes nucleares comandados pelo ditador norte-coreano Kim Jong-un.

O Irma devastou tudo o que estava por cima da terra, nos países caribenhos e na Flórida. Na Coreia, os testes ocorreram nas profundezas do mar. Deus está raivoso e mandou Oswaldo de Oliveira para mostrar isso. Na língua alemã, Oswaldo quer dizer “o poder dos deuses”.

Após sermos impiedosamente bombardeados, queimando-nos por dentro como o napalm usado pelos americanos para incendiar florestas inteiras durante a Guerra do Vietnã, tomei coragem e resolvi pôr a cara para fora. Precisava saber o que ainda restava do Atlético.

As comunicações estavam cortadas. As rádios falavam numa língua completamente desconhecida. Havia um zunido no ar, uma sensação diferente. Surpreendentemente, o meu celular começou a vibrar, tocando os primeiros acordes da Marcha Imperial de “Star Wars”.

Era a Beth, minha esposa.

– Beth, onde você está?

– Paulo, quantos vezes eu vou ter que falar para você deixar comida para os gatos...

– Mas Beth... Beth? Beth? – a ligação inesperadamente se encerrou. Um novo ataque? Será?

Félix e Brisa devem estar por aí, protegidos por escombros. Félix sobreviveu bem a uma queda do terceiro andar, sofrendo leves arranhões. A curiosidade em ver o que estava do outro lado da janela não matou o gato. Ele ainda tinha mais cinco vidas a perder.

Não me importaria com um novo ataque, mais potente. Mortal, como nos áureos tempos. O Galo era soberano, com a melhor armada da região. Por cinco vezes, atravessou fronteiras para defender nosso território, indo para lá de Marrakesh...

Agora agoniza como o Poseidon do cinema, de cabeça para baixo. Vi o filme outro dia, na televisão, seguido por “Twister”, “Terremoto” e “Aeroporto”. Quando a maré não anda boa, a tragédia parece nos procurar, principalmente com Galvão, Arnaldo e Júnior juntos.

“Bring the boys back home” (Traga os garotos de volta para casa), grita Roger Waters na música homônima do Pink Floyd. “Está errado! Faça de novo!”, assinala em outro trecho. “Hora de ir!”, ordena, seguido de batidas na porta.

“Você está bem?”. A voz de Waters diminui de intensidade. Olho para o lado e vejo minha filha Julia, tirando do toca-discos o LP “The Wall”, colocando-o junto a outros álbuns de rock progressivo, como “Aqualung”, do Jethro Tull, e “Relayer”, do Yes.

Sensação de terra arrasada que me remete a 2011. Como diz Waters, é hora de fazer de novo. Se Oswaldo tem a força de Deus, não sei. Mas gostaria de mais uma vez acreditar que se possa transformar água em vinho, reencontrando os genes daquele 2012.

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