Dia do Garçom - 11 de agosto

Blog do Clube / 11/08/2017 - 17h37
GARÇOM

Hoje é o Dia do Garçom! Considerada uma das profissões mais antigas do mundo, ninguém sabe ao certo porque a data de hoje foi escolhida. Fato é que hoje é dia de felicitar as queridas e fundamentais figuras que fazem total diferença em nossos momentos gastronômicos. Equilíbrio e simpatia, agilidade, bom humor e tolerância são ferramentas que não podem faltar em seu cotidiano. Ofício de grande sabedoria. Sem ele, fica difícil festejar, quase não há almoço nem jantar, muito menos um agradável happy hour. Sem um bom garçom não se constrói o sucesso de nenhum restaurante, não existe conselhos na madrugada nem bons ouvidos quando a alegria falta ou mesmo quando ela é compartilhada. 

Em um dia como esse, não se pode deixar de lembrar do sr. Olympio Perez Munhoz, o saudoso e querido "Seu Olympio", uma figura histórica e ilustre da categoria, cidadão honorário de Belo Horizonte imortalizado pelo Guiness Book como o garçom que ficou em atividade por mais tempo em todo o país.  

"Seu Olympio" exerceu sua arte trabalhando na Cantina do Lucas, um dos melhores restaurantes tradicionais da capital mineira, não só referência na gastronomia belo-horizontina há mais de cinco décadas, mas também um Patrimônio Histórico e Cultural da cidade, tombado em 09 de dezembro de 1997. Reduto de intelectuais, artistas e formadores de opiniões desde sempre.

No Lucas trabalhou desde a sua inauguração. Mais que um garçom querido, tornou-se amigo, companheiro e protetor de grande parte deles. Por lá andou fazendo história também em tempos de ditadura, protegendo a turma da esquerda, que freqüentava em peso a Cantina do Lucas, contra as investidas dos agentes do DOPS, que iam sistematicamente lá, à noite, fazer espionagem. "Julgavam-se anônimos. Mas eu fazia a contra-espionagem", lembrava "Seu Olympio".

Era um comunista de carteirinha. Contestador de tudo (às vezes até de si próprio), nunca foi complacente com nenhum tipo de chato. Detestava a burrice e protegia esquerdistas falastrões e guerrilheiros clandestinos. Aceitava bêbados, desde que fossem intelectualmente respeitáveis. A única vez que perdeu a compostura com um freguês foi quando um sujeito teve a ousadia de falar bem do regime ditatorial do generalíssimo Francisco Franco, na Espanha. Olympio subiu nas tamancas e o temerário foi obrigado a se retirar.

Nascido na cidade de Santos, litoral de São Paulo, e filho de espanhóis, veio para Belo Horizonte em 1955. Sempre detestou direitistas, militares e nunca deixou de cultuar Luis Carlos Prestes, Fidel Castro e Che Guevara. Sonhava em viver o suficiente para ver o Brasil se transformar em um verdadeiro país socialista. Chegou a conhecer Santos Dumont, o Pai da Aviação e com ele conversava muito. 

"Seu Olympio" tinha incrível capacidade de memorizar os costumes e manias de cada freguês. Nunca demonstrava qualquer sinal de cansaço, mesmo quando saía de madrugada. Dizia-se um eterno apaixonado pela Lua e que a noite lhe fazia muito bem. 

Após a morte de sua esposa, viveu com o filho médico-psiquiatra até 2003, quando faleceu aos 84 anos. Nunca esteve sozinho, pois graças ao seu ofício de garçom esteve sempre presente na memória dos milhares de amigos a quem ofereceu não apenas bebidas, mas sobretudo carinho, amizade e fraternidade.

Na Cantina do Lucas um prato em sua homenagem foi criado. O famoso "Filet Olympio" sai bastante e é feito com arroz de açafrão, pedacinhos de carne, ovo, molho, batata palha e brócolis.  É uma das excelentes opções dentre as várias e generosas existentes no menu da Casa, agradando, há anos, aos  mais diversos e exigentes paladares. Para os amantes da boa gastronomia, vale apena descobrir porque a Cantina do Lucas continua fazendo história no cenário gastronômico e cultural da capital mineira.

Cantina do Lucas 
Site: www.cantinadolucas.com.br
E-mail: contato@restaurantecantinadolucas.com.br
Telefone: (31) 3226-7153
Endereço: Avenida Augusto de Lima, 233, loja 18, Ed. Maletta, Centro, Belo Horizonte/MG

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