Autoridade e livre-arbítrio

Direito Hoje / 05/09/2017 - 06h00

Sebastião Alvino Colomarte*

Nestes tempos que se dizem modernos, os filhos têm sido deixados, com raras exceções, em segundo plano. Ora é porque pai e mãe trabalham, ora é porque houve um rompimento dos laços familiares.

Neste contexto, muitos pais pensam que transferem a criação e educação dos filhos para as escolas. Por isto é que proliferam hoje as creches e escolinhas. Eu digo pensam, porque a escola tem o seu papel e podem ajudar, mas a primeira responsabilidade pela educação e formação dos filhos é dos pais e da família.

Especialistas no assunto têm alertado sobre a importância da família como elemento agregador e referência primeira para o jovem. Só que muitos pais não conseguem administrar a autoridade e o livre-arbítrio.

Tenho experimentado uma grande experiência no Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG), que há mais de três décadas atende o jovem para uma oportunidade de estágio em empresas e órgãos, públicos e privados, ou de aprendizagem. Esta vivência tem nos revelado como é importante o grupo familiar, cujos pais praticam a autoridade, mas sem sufocar o livre-arbítrio.

Está comprovado que quando existe respeito fica mais fácil estabelecer os limites. São meninos e meninas na faixa de 10 a 12 anos que enfrentam os pais e se julgam capazes de ir para balada, shoppings ou festas apenas na companhia de amigos e, às vezes, até sozinhos. Por isso os pais precisam estar atentos para exercerem a autoridade neste momento, incutindo na cabeça dos jovens que há limites que não devem ser ultrapassados.

A autoridade se constrói, principalmente, por meio dos vínculos e das referências que podem se transformar em admiração e respeito. Nesse sentido, a vontade do adolescente também tem que ser levado em conta para que haja uma relação de respeito mútuo.

Através de uma autoridade responsável o adolescente poderá formar seu livre arbítrio. Sabemos que o cenário externo exercerá grande influência sobre esse jovem, já que para acompanhar a “tribo” em que esse está inserido, muitas vezes será induzido a tomar decisões nem sempre acertadas. Por isso, a família é o esteio para que ele forme uma opinião baseada em conceitos éticos e saudáveis. Imposições arbitrárias dos pais fatalmente serão rejeitadas pelo jovem.

Chamo a atenção para um dado importante: as famílias nunca podem abandonar os seus filhos. Esses necessitam de referências, mesmo que as desprezem, mas ficará sempre na mente do jovem o que chamamos de zumbido: os bons exemplos e referências da família. Relembro aqui o que nos ensina São João Maria Vianney - o Santo Cura D’ars: “Aquilo que se faz fica muito mais gravado na mente dos filhos do que aquilo que se fala”.

Os pais não podem abdicar de seus filhos e devem amá-los incondicionalmente e estarem sempre presentes nessa fase difícil do jovem, principalmente do adolescente. Exercer autoridade e estabelecer limites são formas de amar e de se fazer amar. 

(*) Professor e superintendente-executivo do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG) e diretor da ACMinas

 

 

 

 

 

 

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