Corrida para a humanização no trânsito

Direito Hoje / 15/08/2017 - 06h00

Lélia Almeida Magalhães*

No Brasil, a cada 30 segundos acontece um acidente de trânsito. Antes mesmo que você termine de ler esse parágrafo, um novo acidente já ocorreu e, consequentemente, vitimou uma ou mais pessoas. Nessa equação preocupante, a velocidade, a irresponsabilidade que envolve bebida e volante e situações alheias ao controle humano - como falhas mecânicas, por exemplo - são responsáveis pela dor de inúmeras famílias, que perdem entes queridos e precisam encontrar uma maneira de seguir em frente.
De acordo com pesquisa do DataSUS (base de dados de saúde do Governo Federal), cerca de 45 mil pessoas morrem no trânsito brasileiro anualmente. O Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), afirma que, no Brasil, a cada minuto, uma pessoa fica gravemente ferida por causa da violência no trânsito. E, na linha de frente de todos esses dados, estão as associações de proteção veicular e seguradoras, que precisam buscar, constantemente, soluções para aumentar as possibilidades de fidelizar um cliente já fragilizado e que necessita de atendimento ágil, personalizado e, acima de tudo, humanizado.
De imediato, surge o questionamento: como aumentar a competitividade de uma empresa que presta serviços de proteção veicular e inovar em um mercado altamente regulado como o de seguros? A resposta exata para essa dúvida é um constante desafio para os principais líderes, mas que, ao ser detectado, acaba se tornando um diferencial para conquistar e fidelizar esse cliente, que quer descomplicar e desburocratizar processos em um momento de crise.
E é justamente nesse momento que os gestores de associações de proteção veicular entram em cena, com a difícil missão de reverter em ações e benefícios números cada vez mais altos de indenizações e sinistros. A forma de rateio de custos entre os associados favorece a sensação de pertencimento, e contribui de forma considerável para a não alienação das pessoas ao choque, à emoção e ao sofrimento alheio. Entretanto, é inevitável que algumas pessoas criem uma resistência ao sofrimento humano em acidentes de trânsito, em função do crescente número de mortes, e indenizações pagas para herdeiros de vítimas fatais. O que nós, gestores de empresas que lidam diretamente com a segurança de bens móveis, como veículos leves e caminhões, por exemplo, não podemos deixar é que sentimentos confusos, que flutuam entre  a sensação de impunidade que banaliza a vida e a sede de justiça, se tornem algo corriqueiro em nossas vidas. Independentemente da área de atuação, pública, privada, associativista, cooperativista, entre outras, não podemos fechar os olhos para essa atmosfera banalizada dos acidentes e indenizações de trânsito. Precisamos entender que somos todos responsáveis, e, acima de tudo, mais do que oferecer soluções, nosso dever é oferecer atendimento capacitado e humanizado.

(*) Empresária, bacharel em comércio exterior

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