É preciso quem trabalhe

Opinião / 06/03/2018 - 06h00

 Aristóteles Drummond

Fala-se muito do problema do desemprego, com uma taxa superior a 12%, quando os EUA estão nos 5%, uma média histórica. O insuspeito ex-presidente Lula costuma repetir sobre suas dificuldades na liderança sindical nos anos 1970, durante o governo Médici, pois havia no ABC pleno emprego e disputa pela mão de obra de metalúrgicos, em sua melhor fase de ganhos salariais. O famoso “milagre brasileiro” nada mais foi do que aproveitar os bons ventos internacionais para combater a inflação e crescer, o que conseguimos a taxas superiores a 10%.

Infelizmente, o que ficou daqueles anos dourados, tocados com a competência de Delfim Netto, que, hoje, aos 88 anos, ainda é uma luz a nos orientar, foi a substituição por “anos de chumbo”, numa manobra para ocultar o maior sucesso administrativo da República.

Os presidentes Médici (injustamente acusado de “linha dura”) e Figueiredo foram os únicos que não cassaram mandatos nem fecharam o Congresso. Ambos cometeram erros, mas também acertaram e tiveram bons índices de reconhecimento, valorizados agora diante de tantos escândalos. Não são conhecidos casos de enriquecimento ilícito entre eles. E nem lícitos, por sinal.

Há ainda uma crescente opção de trabalho em atividades que não exigem horário, assiduidade e responsabilidade. Ou seja, muitos anos nas escolas e poucos resultados. Não bastasse, temos, especialmente nas capitais, uma classe média jovem pouco disposta ao trabalho duro e nas camadas populares, muita vontade (e necessidade), mas poucas oportunidades de acesso e aprendizado. A proposta atual de reforma curricular é muito boa. É preciso impor disciplina a alunos e professores.

O investidor quer segurança jurídica, leis trabalhistas claras, oportunidades de ganhos e mão de obra de qualidade. Nossos bons operários estão envelhecendo e não estão sendo substituídos à altura. Estamos discutindo muita coisa sem importância e deixando de lado questões como o ensino profissionalizante e o acesso a escolas de qualidade. Como estamos, é natural que outros países passem a nossa frente, inclusive na América Latina. Por exemplo, o pequeno Peru, ano passado, cresceu 2,7% e nós ficamos a muito custo em 1%. Paraguai, Chile, Colômbia cresceram mais do que nós.

Jornalista

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