Ética empresarial

Opinião / 07/06/2018 - 06h00
Nina Gabriela Borges Costa e Raquel Santana Rabelo*
 
O contexto econômico e social no qual estamos atualmente inseridos é, de forma inédita na história, recheado de fontes de informações. Como uma boa via de mão dupla, permite aos produtores de bens e serviços conhecerem de forma profunda – por vezes, até invasiva – as preferências e as demandas de seus clientes. Em contrapartida, provê aos consumidores a possibilidade de exigir dos potenciais fornecedores valores extremamente importantes para o estabelecimento de uma relação comercial pautada na confiança, na ética e na transparência. 
 
Nesse contexto, surge a Ética Empresarial, que consiste em um instrumento de realização dos princípios e missões de determinada empresa. Assim, ela servirá para orientar as ações de seus colaboradores e explicitar a postura social da empresa em face dos seus diferentes públicos.
 
Adotar condutas éticas, em verdade, é um exercício de reflexão sobre a melhor maneira de convivência social, onde se reflete: tanto nas relações internas (ambiente empresarial), quanto nas relações externas (mercado). Em última análise, significa repensar, constantemente, em como a empresa, vista num sentido de corporação, trata seus integrantes e seus clientes. 
 
Dessa forma, a empresa não pode deixar de se preocupar com o bem estar do público interno e externo. Somente se pode efetivar essa conduta, todavia, por meio da adoção de práticas éticas.
Tomemos como base de análise os recentes escândalos de corrupção envolvendo grandes empresas nacionais. Segundo as denúncias, tais empresas se valiam de condutas ilegais e antiéticas para ganharem licitações de governo, cujo único objetivo era o superfaturamento com o desvio de verbas públicas. 
 
É interessante notar que, antes mesmo de haver qualquer condenação criminal definitiva, a imagem das corporações foi, por si só, extremamente prejudicada e, em alguns casos, tal lesão se tornou irreversível perante a sociedade. Isso tem ocorrido pela junção de dois fatores, quais sejam: a facilidade crescente em relação ao acesso à informação por parte da população e o asco ocasionado pela percepção da coletividade de que determinada (s) empresa (s) atua de forma antiética. 
 
Essa percepção acaba por gerar um mal-estar social, bem como um distanciamento causado por condutas socialmente reprováveis, sendo consequência da falta de ética: a vergonha por quem comente; e o desprezo de quem observa. 
 
É exatamente por isso, que a ética está intimamente relacionada com a transparência, prevalecendo o imperativo Kantiano, o qual estabelece que: “se você não pode contar como fez, não faça.”
 
* Nina Gabriela é mestre em Direito Fiscal, professora do Curso de Direito da Faculdade Kennedy e do Curso de Administração da Faculdade Promove de Belo Horizonte VN e Raquel Santana Rabelo é mestre em Direitos Fundamentais, Professora do Curso de Engenharia de Produção da Faculdade Kennedy e do Curso de Administração da Faculdade Promove de Belo Horizonte VN.
 
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