A CBF e a nossa Seleção

Opinião / 12/05/2018 - 06h00

Aristoteles Atheniense*

O banimento de Marco Polo Del Nero de todas as atividades esportivas confirma a versão de que a corrupção em nosso país é endêmica, contagiando a quem exerça atividades rendosas e desfrute de prestígio pessoal.

Del Nero, acusado de receber US$ 6,5 milhões (R$ 22,5 bilhões) como suborno, não poderá sequer entrar na CBF, ficando sujeito, ainda, a pagar um milhão de francos suíços à Fifa, pelos prejuízos causados àquela entidade.

A defesa de Del Nero sustentou que este foi colhido de “surpresa”, embora seja público e notório que, desde 2015, ele não sai do Brasil, temeroso de ser detido pelo FBI, em cumprimento à decisão da Justiça americana.

Em 2015, foi instaurada uma CPI em Brasília, por iniciativa dos senadores Randolfe Rodrigues e o ex-jogador Romário. O órgão teve como relator o senador Romero Jucá, que opinou pelo arquivamento do inquérito. Tratava-se do líder do governo Temer, que responde a uma dezena de pedidos de investigação. 

Ainda naquele ano, a Polícia Federal promoveu a instauração de 13 inquéritos, que foram arquivados ou atravancados por decisão judicial.
Recentemente, a ministra Cármen Lúcia enviou à Justiça Federal, no Rio de Janeiro, um relatório paralelo às sindicâncias realizadas no Senado, contendo dezenas de crimes contra o Sistema Financeiro (sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica). 

Naquela peça, Del Nero figura como associado a Ricardo Teixeira e José Maria Marin, que permanece preso em Nova York, condenado pela prática de seis crimes de corrupção no futebol.

Mesmo afastado de suas funções pela Fifa, Del Nero já fez o seu sucessor na pessoa de Rogério Caboclo. Nessa jogada contou com a conivência das federações estaduais e expressiva maioria dos clubes de futebol. Utilizou dos mesmos artifícios que os seus antecessores adotaram, quando de sua escolha. Comprometeu-se a não trazer a público tudo que de vergonhoso ocorrera nas gestões de Teixeira e Marin. 

Faltando menos de dois meses para o início da Copa do Mundo na Rússia, descabe a escusa de que a condenação da Fifa não afetará a CBF. Segundo os asseclas de Del Nero, uma coisa é aquela federação, ao passo que a outra seria a nossa Seleção.

Como advertiu Mariliz Pereira Jorge, articulista esportiva da “Folha de S. Paulo” (28/4): “A CBF não existiria, e não teria dirigentes envolvidos até o pescoço em maracutaias, se não tivesse um produto tão poderoso chamado Seleção Brasileira”.

(*) Advogado e conselheiro nato da OAB, diretor do IAB e do IAMG
 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários