A descrença e seus motivos

Opinião / 04/08/2018 - 06h00
  
Aristoteles Atheniense*
 
 
Levantamento elaborado pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) apurou que oito em cada dez brasileiros, ouvidos quanto à confiabilidade dos partidos políticos, responderam que não têm “nenhuma confiança” nessas instituições.
 
A enquete que, em 2006, identificou 36,7%, passou a 46,4% em 2014, apontando como fatores principais dessa descrença a corrupção institucionalizada, além da falta de capacidade de representação dos interesses dos eleitores.
 
A pesquisa foi cumprida em 26 estados da Federação, compreendendo instituições acadêmicas, como a UFMG, UERJ, Unicamp e UnB.
 
Embora esse resultado já fosse esperado, o que surpreendeu os responsáveis pela pesquisa foi o aumento expressivo ocorrido no último quadriênio e o índice a que chegou a devassidão que medra na política, atingindo legendas tradicionais.
 
Alguns cientistas políticos, ouvidos quanto a esta indagação, consideraram que a falência dos partidos deve-se, sobretudo, ao fato de não conseguirem conectar com os anseios da sociedade dinâmica. 
 
Na reflexão de Sérgio Simoni Júnior, integrante da Unicamp e um dos responsáveis pelo estudo, as últimas condenações decorrentes de investigações a cargo da Polícia Federal “têm um lado bom, que é procurar melhorar a política, mas o risco é cair em algo antipartidário e antipolítico”, o que não deixa de ser preocupante. 
 
Para esse desalento contribui a oligarquia partidária, com estruturas centralizadas em mãos de poucas lideranças que não pretendem desistir das vantagens resultantes da situação de que desfrutam.
 
Assim, muitos jovens que pensam em contribuir para um país melhor não conseguem ter acesso aos partidos, que barram qualquer tentativa de renovação. Esse procedimento encontra na troca de legendas, no ano eleitoral, a mais vergonhosa imagem. A permuta deve-se mais ao interesse dos candidatos em obter recurso do fundo partidário, do que de eventual descontentamento que tiveram com o partido de que são egressos.
 
As facções atuais – tanto da base aliada, como da oposição – não têm nenhum programa construtivo a oferecer, nem espaço que possa ser preenchido por eventuais cidadãos que pretendem ingressar na vida partidária.
 
As siglas conhecidas não correspondem a uma linha de conduta, mesmo porque, essa identidade não constitui pressuposto para criação de novos partidos. 
 
 
 
*Advogado, conselheiro Nato da OAB e
diretor do IAB e do IAMG
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