A seca trazendo dramas, mais uma vez

Opinião / 10/05/2017 - 06h00

Zé Silva*
Com as incontáveis denúncias levantadas pela Operação Lava Jato, colocadas diariamente nas casas dos brasileiros, praticamente passa desapercebida mais uma seca que atinge milhões de brasileiros, em sua maioria vivendo em comunidades rurais nas regiões do semiárido. 

Embora a situação esteja ainda mais grave no Nordeste, onde a seca entra em seu sexto ano, outras regiões também sofrem. No Norte de Minas, 26 municípios estão em situação dramática. Na semana passada, o Governo Federal lançou uma Portaria reconhecendo essa situação de emergência e, assim, esses municípios terão melhores condições para superar o quadro.
De acordo com especialistas, essa longa temporada de seca é resultado do fenômeno El Niño de 2015/16. Mas há outras causas. Em todo o país, principalmente no Nordeste, há grandes desperdícios da água já tratada para o consumo humano, devido às condições da rede. No Nordeste, 45% da água tratada se perde nas redes de distribuição, índice acima da média nacional, que já é imensa, de 37%. 

Precisamos dar sentido de urgência a essa questão que se repete ao longo da história. Experiências bem-sucedidas para minimizar ou superar o problema existem. Desde o começo da década passada, seja na gestão da Emater-MG ou em nossas ações parlamentares, agimos determinadamente para implementar algumas dessas experiências, contribuindo com a solução para esse drama. 

Assim, criamos e lideramos no Governo de Minas, na presidência da Emater, um ambicioso programa para levar água tratada para as comunidades rurais do semiárido no estado. Em pouco mais de quatro anos, a partir de 2004 até 2009, cerca de 70 mil famílias em comunidades rurais receberam sistemas de abastecimento domiciliar de água. Outras milhares de famílias tiveram acesso a esse bem essencial de nossa vida por meio de recursos de nossas emendas parlamentares. 

Também para superar impactos da seca no semiárido mineiro estamos propondo, com os Projetos de Lei 2.351 e 1.479/11, que o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri sejam áreas de atuação da Codevasf. Tudo isso são bases para se construir propostas e programas que ultrapassem as recorrentes intervenções pontuais, e capaz de estabelecer uma situação de convivência com a seca de forma racional e sustentável para a população e os setores econômicos da região, pois a única certeza é que haverá seca.

(*) Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG 

 

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