A vendedora de conselhos

Opinião / 13/03/2018 - 06h00

Mauro Condé

Naquela tarde, eu andava apressado pelas belas ruas do Rio de Janeiro. De repente, sem querer esbarrei no braço de uma pessoa que vinha na direção contrária. Era uma amiga mineira com a qual tinha perdido totalmente o contato e reencontrá-la de surpresa foi motivo de satisfação.

Ao perguntar o que ela fazia em pleno Rio, ela me contou um pedaço de sua vida que eu não conhecia, desde a perda de um bom emprego como engenheira de uma multinacional até o abandono do marido, com três filhas pequenas.

Desesperada, ela aceitou a sugestão de uma conhecida para se tornar uma vendedora de produtos de beleza de porta em porta. Para minha surpresa, ela continuou contando a história com os olhos cheios d´água – carregados de emoção e muita experiência positiva.

Ela me disse que começou totalmente inexperiente e, depois de alguns anos, ganhou da empresa onde trabalha o título de melhor vendedora de Conselhos de porta em porta.

Vendedora de Conselhos? Que interessante – como funciona exatamente o seu trabalho? Perguntei,  curioso.
Ela me disse que como não tinha experiência anterior como vendedora, precisou aprender a trocar o pneu com o carro andando. Contou que entre portas fechadas, vários nãos e rejeições diárias, ela descobriu que vender é a arte de conversar com as pessoas e que conversar não é (como geralmente pensamos) ficar falando sem parar sobre os produtos no ouvido delas.

Conversar é exatamente o contrário. É entender o que se passa na cabeça das pessoas que encontramos.
Na verdade, quando nos recebem, as pessoas não querem comprar nada – elas querem é ter alguém com quem conversar. Precisam desesperadamente contar suas coisas.

Descobri que ter bons produtos para vender e acreditar no que se vende é uma pequena parte do todo. Aprendi a usar toda a habilidade de ouvir.

Ouvindo as pessoas, antes de falar dos produtos que vendemos, fazemos com que elas nos sintam no mesmo patamar delas e aí elas se sentem muito a vontade para se abrir e falar delas e de suas vidas, independente do produto que vendemos.

No final, além de comprar, elas agradecem pelos conselhos (que sabiamente aprendi a dar apenas ouvindo o que as pessoas precisam dizer). Vender é a arte de seduzir e ninguém seduz sem ser interessante. E a melhor forma de ser interessante aos olhos das pessoas é ser interessado por elas.

Palestrante, consultor e fundador do blog do Maluco

 

 

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