As contradições italianas

Opinião / 03/03/2018 - 06h00

Aristoteles Atheniense

A Itália viverá neste domingo, 4, grande expectativa em relação ao que lhe estará reservado nos próximos anos. Entre os inúmeros problemas que enfrenta, sobressaem a crise do desemprego e o fluxo de centenas de milhares de imigrantes e refugiados que chegam ao país através do Mediterrâneo.

A taxa de desemprego ultrapassa 11%, sendo que o número de jovens italianos sem ocupação rentável corresponde a um terço do total.

O ingresso de estrangeiros é alvo de discursos xenófobos, especialmente de grupos fascistas esquecidos de que, no passado, os italianos migraram em larga escala cruzando o Atlântico rumo às Américas, no fim do século XIX.

De 1946 até hoje, a política gerou 65 governos de todas as espécies. No próximo pleito, há o risco da vitória do Movimento 5 Estrelas, fundado em 2009 pelo humorista Beppe Grillo, liderado por Luigi Di Maio, 31 anos, sem nenhum preparo para conduzir o destino do país.

O Força Itália, comandado por Silvio Berlusconi, é a imagem de seu líder, que já foi premiê por três vezes, sendo aliado da extremista Liga do Norte, conforme a conveniência, que é um movimento separatista.

O Partido Democrático, do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, não reúne possibilidades de êxito, buscando somente manter a situação atual, que reclama alterações profundas.

A renda per capta hoje no país é inferior a de 2008, ou seja, dez anos passados. Em que pesem esses números, que justificam o anseio do eleitorado por mudanças, a Itália, paradoxalmente, desfruta em algumas áreas de situação melhor que a de outros países europeus.

A sua perspectiva de vida supera a da Alemanha, Suíça e França, atingindo 83,3 anos. É a nona maior economia do mundo e a quarta da União Europeia, com um PIB que supera, individualmente, Canadá, México, Coreia do Sul e Rússia.
O seu parque industrial engloba grupos poderosos como Fiat e Pirelli. A sua moda é a mais forte do planeta, com destaque para Valentino, Versace e Gucci.

Embora convivendo com a corrupção, que não foi eliminada pela operação “Mãos Limpas”, o país ainda tem muitos recursos, que, bem administrados, poderão fazer com que o seu povo recobre a confiança no amanhã.
Paira, no entanto, compreensível frustração pelo fato de que a Azzurra não estará participando da Copa do Mundo na Rússia, o que independe da eleição de domingo.

Advogado e Conselheiro Nato da OAB, Diretor do IAB e do IAMG

 

 

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