Atividade física e incontinência urinária

Opinião / 09/10/2017 - 06h00

Agnaldo Lopes (*)

A prática de atividade física tem se tornado um hábito cada dia mais disseminado. A sociedade percebeu que se alimentar bem e se exercitar são formas para garantir maior qualidade de vida. Contudo, um problema recorrente dessa mudança está na falta de controle desse hábito. Muitas pessoas, principalmente as que buscam um corpo perfeito, acabam se excedendo e, assim, gerando outro problema: as doenças decorrentes do abuso do esforço físico. Os problemas mais recorrentes estão no assoalho pélvico, causando o prolapso genital e a incontinência urinária.

A incontinência urinária é definida como “toda perda involuntária de urina”, sendo mais comum em mulheres e, em geral, decorrente de partos e gestações que podem lesar os músculos. É muito comum mulheres que praticam atividades físicas e esportes apresentarem incontinência. Muitas delas abandonam as atividades para evitarem perder urina durante essa prática, pois tal perda causa vergonha, constrangimento, além de interferir no desempenho durante o exercício. As últimas pesquisas evidenciaram que a atividade física de alto impacto pode levar ao desenvolvimento da incontinência urinária feminina.

O assoalho pélvico é formado por um grupo de músculos de controle voluntário, em forma de rede, localizados na porção inferior da bacia, especificamente, entre as coxas e com a função de sustentar os órgãos internos. A musculatura pode ser exercitada, entretanto, em casos exagerados com esforço excessivo, pode se tornar mais flácida e enfraquecer, problema que não tem reversão e afeta outros órgão, como a bexiga, por exemplo.

A atividade física exagerada, sem a devida recomendação médica, leva ao esforço exacerbado do praticante, empregando muita força e causando uma espécie de alargamento ou relaxamento do assoalho, podendo ocasionar a incontinência urinária ou o prolapso genital. A doença pode ser percebida nos momentos de muito esforço ou simples atividades, como rir, tossir, espirrar, causando, além de outras coisas, grande constrangimento, e, por conseguinte, afastamento da pessoa de suas atividades cotidianas, vida sexual e do que dá prazer, reduzindo a qualidade de vida.

É preciso ter ciência também que o problema tem tratamentos diferentes. A indicação dependerá da gravidade e do tipo, existindo a necessidade de uma abordagem individualizada e interdisciplinar. A medicina e a fisioterapia dispõem de diversas maneiras para tratar, com frentes comportamentais, por exemplo, lançando mão da perda de peso, treinamento para a bexiga, exercícios para fortalecer a musculatura pélvica; medicamentosas e, em casos mais graves, cirurgia.

Uma coisa muito importante é perder o constrangimento em abordar o assunto. Muitas pessoas não procuram ajuda médica por vergonha e ficam anos, ou até, a vida toda, convivendo com um problema que pode ser facilmente tratável, em vários casos, garantindo maior qualidade de vida.

(*) Professor doutor da UFMG e ginecologista

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