Chega de oba oba

Opinião / 03/10/2017 - 06h00

Aristóteles Drummond*

Foi-se o tempo em que a oratória era fator determinante para o sucesso de um político. Ou mesmo a habilidade nas articulações. Antes praticada por pequenos grupos, divididos em governo e oposição, a política pós-redemocratização passou a ter como atores principais o eleitor, a opinião pública, os resultados econômicos e sociais.

O presidente Lula teve sucesso, obtendo dois mandatos e fazendo a sucessora, não pelo fato de ter sido um líder operário nem pelo bom discurso, mas, sim, por ter aproveitado a oportunidade de um opositor fraco e feito um governo que, mal ou bem, manteve erguidos a economia e o emprego. Ainda executou um ousado, e caro, projeto social, atendendo a milhões de pessoas. Sua sucessora meteu os pés pelas mãos e acabou sofrendo um processo de impeachment. A Era Lula acabou sepultada pelos escândalos de corrupção, em que ele sofre mais do que os demais envolvidos, de todos os partidos, uma vez que sua bandeira eleitoral teve como ponto forte condenar a corrupção como tradição na política brasileira.

Agora a sociedade pede uma saída da crise na economia, intocabilidade das operações de saneamento ético do mundo político e estatal e mostra mais cuidado na seleção de seus favoritos. O prefeito de São Paulo, João Doria, é o maior exemplo. Pode se perder pelo sucesso, tentando atropelar os acontecimentos, comprometendo questões importantes na avaliação do povo brasileiro, em que a lealdade é ponto forte. O comportamento firme, enfrentando a chuva sem abandonar companheiros, sem renegar amigos, sem mudar de pensamento, é o que mantém na vida pública políticos longevos, como José Sarney, Roberto Jefferson, Cristovam Buarque, Arlindo Porto, Danilo de Castro e outros poucos.

Alguns setores da elite nacional ainda pecam pela atração ao que se convencionou chamar de “politicamente correto”, em que a questão da segurança pública é o exemplo maior. O Brasil quer acabar com a violência, a criminalidade e o crime organizado. Sabe, no entanto, que, num primeiro momento, são necessárias ações firmes, sem essa história de “inteligência”, eufemismo para as políticas frágeis nas administrações de esquerda nos estados e com influência em Brasília nos últimos governos.

Nada vai acontecer à revelia da vontade popular. Tomem nota! 

(*) Escritor e jornalista

 

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