Conscientização sobre o aleitamento materno

Opinião / 07/08/2017 - 06h00

Paula Cristina M. Soares (*)

A Semana Mundial do Aleitamento Materno é comemorada entre os dias 1º e 8 de agosto, com o tema “Trabalhar juntos para o bem comum”. A conscientização sobre os benefícios desse ato é extremamente importante para que os bebês tenham o direito de serem amamentados. 

O aleitamento é um dos momentos mais importantes da maternidade, garantido por lei, beneficiando tanto a saúde das crianças quanto das mães. A recomendação do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Ministério da Saúde é que o recém-nascido mame na primeira hora de vida, ainda na sala de parto, independentemente de cesárea ou parto normal.

O leite materno é considerado uma fonte indispensável de nutrientes para a saúde e desenvolvimento infantil. O consumo logo após o nascimento pode reduzir em 22% a mortalidade neonatal. Conforme levantamento do Unicef, cerca de 70% das mortes de crianças brasileiras com menos de um ano ocorrem no período neonatal, sendo 52% delas na primeira semana de vida.

Os benefícios são múltiplos, como o vínculo mãe-filho que favorece o desenvolvimento emocional de ambos. O leite materno é o alimento mais completo, contendo a quantidade certa de anticorpos, vitaminas, proteínas, água, sais minerais e gorduras necessárias para o crescimento e desenvolvimento do bebê. Ele já está na temperatura ideal, sendo facilmente digerido, constituindo o método mais barato e seguro de alimentação até o sexto mês de vida. 
Mamar no peito também diminui os riscos de desnutrição, obesidade infantil, alergias e infecções. A amamentação favorece ainda o desenvolvimento da musculatura da face da criança, beneficiando a fala e a respiração.

As vantagens também são muitas para a mãe: redução do risco de hemorragias, câncer de mama e de ovário, perda mais rápida de peso e prevenção contra uma nova gravidez. Amamentar é um processo natural que estimula a autoestima e evita gastar tempo e dinheiro com mamadeiras e outros tipos de leite.

As campanhas visam conscientizar a população sobre a importância do ato e os direitos estabelecidos por lei. Em 2008, a legislação regulamentou a opção de extensão da licença maternidade de 120 para 180 dias, sem prejuízo no salário, estimulando o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida. 

Em junho de 2016, foi sancionada, na capital mineira, a Lei Municipal 10.940/2016 para assegurar o aleitamento em locais públicos e privados, além de prever multa ao estabelecimento que impedir ou constranger a lactante. Em dezembro do ano passado, foi a vez do Estado de Minas Gerais regulamentar esse direito pela Lei 22.439/2016.

A Semana Mundial do Aleitamento Materno é comemorada desde 1992 e, a cada ano, reforça uma temática diferente, mas com o mesmo objetivo: incentivar a amamentação. A questão deste ano se relaciona à criação de alianças necessárias para alcançarem a garantia da principal missão: o direito de amamentar o filho.

(*) Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Minas Gerais

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