Crianças e educação no meio rural

Opinião / 11/10/2017 - 06h00

Zé Silva*

Nesta semana, mais especificamente amanhã, 12, comemoramos o Dia da Criança, o que é mais uma oportunidade de refletirmos e buscar soluções que promovam direitos e melhorias nas condições de vida da infância e da juventude no meio rural. 

Como já dissemos aqui, o Estado brasileiro precisa de um olhar diferente para esses segmentos, pois trata-se de uma questão urgente e com um grande potencial de impactos sociais que, infelizmente, ainda não são devidamente levados em conta pelos governos, sobretudo em seus níveis estaduais e municipais.

E estabelecer condições para que crianças e jovens do campo tenham uma vida de melhores condições e perspectivas passa principalmente pelo fortalecimento e construção de uma educação de qualidade no meio rural. Afinal, ali trabalham e vivem cerca de 35 milhões de brasileiros, e cabe ao Estado a responsabilidade de um sistema de educação que considere melhor as especificidades e características desse ambiente. 

Portanto, a educação, nas cidades como no campo, é a base que assegura para crianças e jovens uma formação que lhes permita sonhar e realizar seus sonhos e projetos de um futuro sempre melhor, para eles próprios, suas comunidades e nosso país. E não se pense que educação infantil de qualidade seja apenas uma questão para garantir maior renda para futuros jovens, o que é muito importante, mas não se restringe a isso. 

Por exemplo, a decisão de migrar ou permanecer no campo também depende das condições de infraestrutura social, a começar da educação e saúde, mas também de telefonia, inclusão digital e condições para o lazer e a cultura, entre outros direitos sociais. Porém, sistemas de educação de qualidade, e com esforços e bons resultados de adaptação para as condições rurais, como as Escolas Família Agrícola, as chamadas EFAs, permanecem sem os necessários apoios e atenção de governos. 

Mas nesse dia tão importante para se comemorar, abraçamos todas as crianças e jovens, de modo especial os que estudam no meio rural, pela determinação em vencer desafios e dificuldades de seu meio. E em respeito e solidariedade a essa determinação, propusemos um projeto de Lei, que tramita na Câmara Federal, propondo reserva de vagas nos processos seletivos para graduação em Ciências Agrárias nas instituições federais para estudantes que cursarem integralmente o ensino médio em escolas rurais ou em escolas técnicas agrícolas. 

(*) Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG
 

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