Desinformação sobre diabetes causa pânico

Opinião / 13/11/2017 - 06h00

Maria de Fátima Kallas (*)

Caracterizado pela deficiência de produção e/ou de ação da insulina, com consequente elevação dos níveis de glicose no sangue, o diabetes mellitus ainda é uma doença que assusta muito. Em pleno século 21, muitos mitos e desinformação se mantêm sobre o assunto. Conforme levantamento da Sociedade Brasileira de Diabetes, são mais de 13 milhões de brasileiros com a doença, representando 6,9% da população.

A falta de informação e de exames preventivos faz com que a maioria das pessoas procure auxílio médico apenas quando a doença está em estágio avançado, ou, já apresenta as primeiras consequências. O diabetes, quando não tratado adequadamente, provoca complicações cardiovasculares, insuficiência renal, cegueira e amputações de membros inferiores.

Existem quatro tipos mais comuns de diabetes: tipo 1, tipo 2, gestacional e secundário à doenças pancreáticas. Mais frequentemente diagnosticado na infância, o tipo 1, é uma doença auto imune, resultado da destruição de células beta pancreáticas por um processo imunológico, ou seja, há formação de anticorpos pelo próprio organismo contra as células beta, levando a deficiência de insulina. Já, o tipo 2, que representa 90% dos casos, na maioria das vezes é causado por hábitos de vida não saudáveis (erros alimentares, sedentarismo) associados à fatores genéticos. O diabetes gestacional pode ocorrer em qualquer mulher e, nem sempre, os sintomas são identificáveis, sendo caracterizado pelo aumento do nível de glicose no sangue durante a gestação.

Antes do diagnóstico, é possível existir uma situação clínica denominada pré-diabetes. Ela serve como um alerta para evitar a progressão da doença. Nesse quadro, a glicose está alterada, mas em níveis mais baixos, ainda não caracterizando o diabetes. Ao diagnóstico de pré-diabetes, os valores de glicemia, em jejum, devem variar entre 100 e 125 mg/dl, já para ser considerado diabetes, esse valor precisa atingir os 126 mg/dl.

No pré-diabetes o nível de glicemia pode retornar à valores normais, com adoção de estilo de vida saudável (alimentação balanceada, atividade física regular). Contudo, caso isso não ocorra, há evolução para o diabetes. Os obesos, hipertensos e pessoas com alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos são grupo de alto risco para desenvolver a doença.

É possível conviver, normalmente, com o diabetes mantendo uma alimentação sempre saudável, rica em fibras e livre de gorduras, evitando açúcar, praticando exercícios físicos, e fazendo consultas médicas regulares. O diagnóstico inicial é fundamental para garantir um maior controle e prevenção da doença, principalmente, nos casos em que é necessário recorrer a medicamentos para controlar o nível de glicose no sangue.

(*) Endocrinologista e Metabologista do Hospital Vera Cruz

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