Distinção a ser feita

Opinião / 02/06/2018 - 06h00
Aristoteles Atheniense*
 
Em face da situação gerada pela greve dos caminhoneiros, o governo, com atraso, partiu em busca da medicação adequada que pudesse amenizar o infortúnio que estamos vivendo. Pesquisa da Ideia BigData, feita no último fim de semana, mostrou que a maioria da população (55%) desaprova a paralisação dos caminhoneiros. Das zero hora de domingo às 15 horas da sexta-feira, a greve alcançou a 3,4 milhões de menções no Twitter, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas.
 
Levantamento da Torabit, após análise de 130 mil comentários, concluiu que 53% deles eram favoráveis ao protesto. 
 
Pelo que ocorreu nos dias subsequentes, a legítima manifestação contra a alta dos preços do diesel converteu-se numa feérica disputa de poder de diversos matizes, repercutindo negativamente na perda de autoridade do governo. 
 
A cada hora, percebe-se que não há uma linha definida de interesses por parte dos transportadores, que já contam com a adesão dissimulada de políticos que pretendem tirar proveito da calamidade crescente. As concessões já feitas, compreendendo redução de impostos, tabela mínima de fretes, alterações introduzidas nos pedágios, importaram num desfalque de R$ 9,5 bilhões a R$ 13,5 bilhões ao Tesouro. 
 
Esse valor terá que ser retirado das previsões orçamentárias que já tinham sido aprovadas e concorrerá para ampliação da dívida pública.
 
Prognósticos mais otimistas admitem que os postos de gasolina voltem a funcionar normalmente nos grandes centros urbanos e, após dez dias, no restante do país. Mas, para que isto aconteça será indispensável que os auxiliares de Temer estejam alinhados nos mesmos propósitos, evitando pronunciamentos temerários com repercussões negativas, que não passam de um desserviço ao Brasil.
<TB>Como alertou a colunista Eliane Cantanhêde (“O Estado de S. Paulo”, 28/5): “Uma coisa é a paralisação de caminhoneiros com reivindicações justas. Outra coisa, muito diferente, é um movimento político com exigências difusas, até contraditórias e absolutamente inexequíveis. A paralisação deixa de ser justa, perde a legitimidade e passa a ser um ataque oportunista, não a um governo agonizante, mas às instituições e a toda a sociedade”.
 
*Advogado e Conselheiro Nato da OAB e
diretor do IAB e do IAMG.
 
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