Donald, o pato

Opinião / 10/08/2017 - 06h00

Alex Ian Psarski Cabral e Cristiane Helena de Paula Lima Cabral*

Walter Elias Disney nasceu nos EUA em 5 de dezembro de 1901. Teve uma infância rural no estado de Missouri. Talvez daí tenha vindo a inspiração para a criação de seus mais famosos personagens infantis: o Pato Donald e o Mickey.

Mickey foi criado em 1928, mesmo ano em que o republicano Herbert C. Hoover derrotou o democrata Alfred E. Smith, e se tornou presidente americano, e o simpático ratinho acabou tornando-se um dos mais conhecidos personagens dos desenhos animados.

Hoover enfrentou com galhardia a quebra da Bolsa de Nova Iorque em 1929. Mais tarde, as medidas adotadas por ele dariam sustentação ao New Deal, de Frank Roosevelt.

Mais novo, Donald, que não é um pato, e sim um marreco branco, surgiu em 1934. Assim como o rato, ganhou notoriedade mundial. 

Ambos, o rato e o pato têm em comum muito mais que a paternidade. Seu criador levou-os ao cenário da Guerra Mundial, a convite das Forças Armadas. E assim, o prestígio desses personagens esteve à disposição da propaganda militar dos Estados Unidos contra a ameaça comunista, a ponto de, em 1949, terem sua exibição proibida pelo governo soviético. 
Em 20 de janeiro de 2017, após uma eleição que contrariou a todos os prognósticos, o mais alto posto do poder nos EUA passou a ser ocupado por dois novos personagens: um novo Mickey, o Pence, e um novo Donald, o Trump.

E, passados mais de 180 dias no poder, o Pato, digo, o Donald, eleito o 45º presidente norte-americano já começa a colocar em prática suas principais ideias de campanha. 

O nacionalismo radical dá asas à xenofobia quando ele anuncia a proibição de entrada de imigrantes estrangeiros em território americano, inclusive daqueles portadores do greed card. A repercussão internacional foi tão ruim que a Casa Branca recuou.

O que parece não retroceder é a diplomacia (ou a sua ausência!) do Donald, o presidente, e do Mickey, seu vice, obstinados em isolar os Estados Unidos, rompendo com o Tratado de Associação Transpacífico, construindo o muro de separação com o México e se retirando do Tratado de Paris sobre o clima.

Não estamos mais na década de 30. Não existem personagens tão singelos quanto Donald e Mickey. O mundo é bem diferente daquele de Walt Disney. Não há uma Guerra Mundial nos mesmos moldes daquela época. Mas uma nova ordem mundial foi instaurada em 11 de setembro de 2001. 

Em 1934 Adolf Hitler adotou o título de Führer, o que na prática o tornou ditador na Alemanha. O resultado foi a morte de mais de cinco milhões e meio de pessoas, só na Alemanha.

Há seis meses que o Pato e o Rato Republicano derrotaram os Democratas, e mais de 58% dos eleitores americanos já reprovam o governo Trump, e a impressão que dá é a de que o mundo inteiro preferia que aquilo tivesse sido apenas mais uma animação da Disney, mas não foi. 

(*) Alex Ian Psarski Cabral – Doutorando em Direito Público Internacional. Professor das Faculdades Kennedy
Cristiane Helena de Paula Lima Cabral – Doutora em Direito Público Internacional. Professora das Faculdades Kennedy

 

 

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