Eleições e economia

Opinião / 04/04/2018 - 06h00

Aroldo Rodrigues*

A saída de Henrique Meirelles do Ministério da Fazenda não deve produzir impacto na economia, até pela preocupação com a ideia de continuidade. Os mais cotados para substituí-lo são Eduardo Guardia, secretário executivo, e Mansueto Almeida, de Acompanhamento Financeiro, além de Dyogo Oliveira, do Planejamento, indicado por Romero Jucá, mas muito alinhado à agenda econômica, ao ajuste das finanças e responsável por medidas, como a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia, que ajudou a dar um bom fôlego à atividade. 

Agora, a blindagem da economia à mudança de comando no Ministério da Fazenda não significa que as eleições não possam ter impacto. Aliás, as eleições já podem estar tendo influência no ritmo de crescimento, ao deixar os agentes econômicos mais cautelosos, no que se refere ao consumo, investimentos, contratações. Isso é inevitável. Há uma ansiedade no ar em relação ao que pode acontecer no próximo ano. Não se sabe ao certo sequer quem serão os candidatos. 

Estão dadas as condições para a economia seguir em recuperação, tanto que as projeções de crescimento para 2019 são melhores que as deste ano. Mas isso vai depender muito do posicionamento do futuro presidente. Qualquer sinal de uma mudança maior na gestão da economia pode produzir impactos negativos, começando pelas reações do mercado. 

A questão é que alguns candidatos se posicionam contra o ajuste, privatizações, reformas, que parecem ser o caminho para a economia entrar mesmo nos eixos, engatando um crescimento sustentável de longo prazo. E podem ser convincentes, à medida em que junto a essas propostas se apresentem como o novo ou uma continuidade diferente de tudo de errado que estamos vendo por aí. Mudanças, sem dúvida, são necessárias. Mas é preciso avaliar com atenção que tipo de mudanças que o país precisa.

*Economista, pós-graduado em consultoria empresarial e professor universitário
 

 

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