Espanhol é fundamental para abrir portas

Opinião / 18/05/2017 - 19h00

César Rocha*           

Mais de seis milhões de brasileiros estudam espanhol em escolas públicas e privadas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, conforme dados do Instituto Cervantes. O domínio da língua é um diferencial no currículo. O profissional fluente ganha de 12% a 36% mais que aquele sem domínio da língua, em cargos de nível superior e de gerência. Historicamente, o ensino do inglês foi privilegiado, por conta da força econômica dos países onde se fala essa língua. Os laços entre os países vizinhos da América do Sul ficaram mais fortes com a criação do Mercosul e a proposta de integração política, econômica e comercial. O Brasil é o único país latino que fala português, enquanto os vizinhos e parceiros falam espanhol. Quem tem o domínio da língua tem mais oportunidade junto aos hermanos.

A primeira vez que a disciplina de Língua Espanhola foi lecionada em uma escola brasileira foi em 1919, no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Em 1942, o espanhol foi incluído na grade curricular obrigatória brasileira com a Lei Orgânica do Ensino Secundário no 4.244/42, determinando a inclusão no 2o Ciclo do Secundário, tanto no Clássico quanto no Científico. Em agosto de 2005, foi sancionada  a lei 11.161 que tornava obrigatória o espanhol em todos os estabelecimentos de Ensino Médio, sendo facultativa no Ensino Fundamental, do 6º ao 9º ano, a partir de 2010. Mesmo prevista em lei, ainda não são todas as escolas que têm a disciplina. Na rede particular, o ensino é mais presente, como no  caso do Colégio ICJ.

Quem inicia os estudos em outra língua, logo na educação infantil, ou até mesmo na adolescência, consegue um rendimento maior em testes por ter mais familiaridade com o idioma. O aprendizado de outras disciplinas também melhora. Segundo pesquisa da Universidade de Granada, na Espanha, quem sabe falar dois idiomas, desde a infância, melhora a memória e atenção. Os resultados revelaram que uma pessoa bilíngue ativa as duas línguas simultaneamente, mesmo quando confrontados com uma situação em que apenas um dos idiomas é exigido. A pesquisa acrescenta ainda que os bilíngues utilizam mecanismos de atenção muito mais vezes que os que só dominam um idioma e são capazes de trabalhar melhor em situações de tomada de decisão e de distração.  Os estímulos recebidos  influenciarão, positivamente, o desenvolvimento cognitivo e podem contribuir para uma melhora no raciocínio e no funcionamento do cérebro em geral, como mostrou a pesquisa de psicologia da USP.

Mais que facilitar a comunicação e o ensino de outras matérias, aprender espanhol amplia o repertório culturalOs livros que ainda não foram publicados em português, músicas e filmes sem legenda ou dublagem passam a fazer parte do cotidiano daquele que fala a língua. Quanto mais contato com o idioma, mais se desenvolve o interesse pela cultura e história dos países de língua espanhola.

(*) Professor de espanhol do Colégio ICJ 

           

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