Estudo: câncer de mama x anticoncepcionais

Opinião / 05/02/2018 - 06h00

Annamaria Massahud Rodrigues dos Santos (*)

Cerca de 13% das mulheres no mundo, com idades entre 15 e 49 anos, fazem uso de anticoncepcionais. Um estudo publicado no periódico científico New England Journal of Medicine revelou que quem usa ou usou anticoncepcionais, baseados em hormônios, tem risco 20% maior de desenvolver câncer de mama, quando comparado a quem nunca recorreu ao medicamento. Os cientistas avaliaram todos os métodos contraceptivos hormonais, incluindo a pílula oral, adesivos, anéis vaginais, implantes, injeções e, até mesmo os DIUs com progesterona. 

A pesquisa foi realizada com 1,8 milhão de mulheres na Dinamarca, na mesma faixa etária, que nunca tiveram câncer de mama ou tromboembolismo venoso ou passado por tratamento para infertilidade. Elas foram acompanhadas por um tempo médio de dez anos com a identificação de 11.517 casos de câncer de mama, o que representa um caso extra da doença para cada 7.690 usuárias de anticoncepcional ao ano. 

O estudo ainda concluiu que o risco para desenvolver o tumor é elevado à medida que aumenta o tempo de uso. Observou-se que o risco foi 9% superior em mulheres com até um ano de uso e 38% maior naquelas que utilizam algum anticoncepcional há dez anos ou mais. 

Como a chance de ter câncer de mama até os 50 anos, em geral, é de cerca de 2%, com um aumento de risco pelo uso dos anticoncepcionais, o risco passaria para 2,2%, entre as mulheres que usaram o medicamento por um ano, e, para 2,76%, para quem usou por mais de dez anos. De cada dez casos esperados de câncer de mama em 500 mulheres de 50 anos, haveria 11 casos (um a mais) se tivessem usado anticoncepcional hormonal por um ano.

Outro aspecto descoberto foi que o risco de câncer de mama continua alto, mesmo após a descontinuação do uso do medicamento entre quem já utilizou o contraceptivo por mais de cinco anos. A boa notícia é que o risco desapareceu rapidamente, após a interrupção, entre as mulheres que usaram os anticoncepcionais por curtos períodos.

Entretanto, o estudo não avaliou o impacto da mortalidade geral por câncer e, já se sabe, que os anticoncepcionais diminuem o risco de câncer de ovário, de endométrio e câncer colorretal, além de evitar a gravidez, aliviar cólicas menstruais, reduzir sintomas de ovário policístico e de endometriose, melhorando a qualidade de vida. As usuárias de anticoncepcional costumam ir com mais frequência ao médico. Esse acompanhamento é fundamental para o diagnóstico precoce de diversas doenças. 

Portanto, consciente que os métodos contraceptivos, em especial a pílula oral, representam um importante marco no planejamento familiar da mulher atual e, que o risco geral do câncer de mama decorrente do uso de anticoncepcionais ainda é baixo, a Sociedade Brasileira de Mastologia não recomenda interromper o uso do contraceptivo hormonal, mas manter o controle habitual e regular com o médico, discutindo-se riscos e benefícios de seu uso, individualmente. 

(*) Vice-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Minas Gerais

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