Evolução no combate contra o câncer de mama

Opinião / 17/07/2017 - 06h00

Waldeir Almeida(*)

Os números atuais sobre câncer de mama são assustadores e alertam para a necessidade de discussão sobre atualização e melhoria dos tratamentos. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que o câncer de mama é o que mais atinge a brasileira, com expectativa de 57.960 novos casos da doença para 2017. A medicina evolui de forma notável e os avanços nas áreas de prevenção e tratamento contra o câncer de mama apresentam um constante crescimento, sendo fundamental para diversas pessoas.

Um dos grandes avanços dessa área é o Teste de Detecção de Mutação Genética, identificando se a mulher tem mais chance para desenvolver um câncer de mama ou ovário, através da alteração de vários genes, como o BRCA1 e BRCA2. Usando a história pessoal, câncer em idade precoce, cânceres na mama e ovário para decidir se existe a necessidade de fazer o teste. 

O mastologista também avalia o histórico familiar para detecção de possíveis mutações, com ênfase em várias pessoas na família com câncer de mama, principalmente se ocorreu na pré-menopausa ou bilateral, e homem com câncer de mama. Na suspeita de mutações o mastologista encaminha para a realização de uma consulta de aconselhamento genético e, se indicado, o teste genético. O exame pode ser feito com amostras de sangue ou de saliva para indicar os melhores tratamentos ou acompanhamento.

A prevenção é a principal forma para combater a doença aumentando a probabilidade de cura. A doença não tem uma causa definida, sendo hormonal, comportamental, alimentar ou genética e a evolução dos métodos de prevenção são primordiais para salvar vidas. A mamografia é o principal método de diagnóstico do câncer de mama em fase inicial. Hoje, se o câncer é detectado com tamanho pequeno, as chances de cura sobem para 95%.

Grande parte dos avanços nos tratamentos desse tipo de câncer se deve a forma personalizada que a medicina oncológica dedica a cada paciente. Anteriormente, todos os tipos eram tratados com o mesmo procedimento. Hoje, os tumores são estudados de forma individualizada e o tratamento é avaliado para cada paciente.

Nem todas as cirurgias atuais são tão radicais, abrindo espaço para tratamentos considerados conservadores. A radioterapia é outro avanço decorrente da tecnologia das máquinas que já podem ser programadas para radiar apenas o tumor, preservando os órgãos saudáveis ao redor. Também é possível fazer a radioterapia intraoperatória para receber, em uma única sessão durante a cirurgia, toda a radiação prevista para cinco ou seis semanas, após a operação. 

Os avanços são muitos e importantes, com novas técnicas de cirurgia, recomendações sobre estilo de vida, exames preventivos, tratamentos individualizados, tratamentos com quimioterapia e radioterapia e tratamento multidisciplinar, entre outros.

(*) Presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional Minas Gerais

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários