Exportação de café mineiro para os países orientais

Opinião / 06/10/2017 - 06h00

Pedro Leitão*

Historicamente, Minas Gerais é referência na produção de café no país. Neste ano, a produção esperada é da ordem de 25,7 milhões de sacas, resultado que, mais uma vez, confirma a sua liderança na produção. Deve-se registrar que essa liderança também se dá na certificação de propriedades cafeeiras e, consequentemente, na disponibilização de produtos diferenciados nos mercados. A maior parte da produção mineira é destinada ao mercado externo: no último decênio, em média, 83,2% da produção foram comercializados no exterior.

Os cafés mineiros se consolidaram na Europa, principalmente na Alemanha, Itália e Bélgica, como também nos Estados Unidos da América. Em 2016, esses mercados representaram 60% da receita gerada com a exportação de café, que foi da ordem de US$ 3,5 bilhões. No Oriente, o Japão sempre ocupou posição de destaque. No ano passado, ocupou a 4ª posição no ranking dos países importadores, sendo responsável por 8,1% da receita gerada pela commodity. No período compreendido entre 2007 a 2016, os japoneses compraram uma média anual de 1,7 milhão de sacas, representando 8,5% do volume exportado.

As exportações para os países orientais vêm sendo ampliadas, de 2,6 milhões de sacas exportadas em 2007 para 3,2 milhões de sacas em 2016, em um crescimento de 21,3%. Os principais países que contribuíram para esse crescimento foram a Coreia do Sul, Turquia, Rússia, Austrália, Líbano, Malásia, Taiwan, Israel, China, Nova Zelândia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Hong Kong, Coreia do Norte e Coveite.

O aumento do consumo de café no Oriente é um movimento que teve início há alguns anos e vem ganhando cada vez mais adeptos. A China é um dos países que têm ampliado a importação de café. Em 2006, os chineses importaram 6 mil sacas. Já em 2016, o volume foi de 35.800 sacas, um crescimento de 493%. Esse aumento mostra a perspectiva de grande espaço para a expansão do consumo, inclusive com possível mudança de hábito de parte da população em alguns desses países, por exemplo, do chá para o café.

Essas perspectivas evidenciam a necessidade de um planejamento estratégico para o setor e investimentos expressivos em marketing com o objetivo de divulgar as qualidades dos cafés brasileiros neste mercado extremamente promissor. Neste contexto, acreditamos que a realização da Semana Internacional do Café em Belo Horizonte, configurada como o maior evento da área atualmente no país, e a perspectiva da vinda de dezenas de compradores de diversos lugares do mundo é uma importante e estratégica iniciativa de valorização do nosso café.

(*) Secretário Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais.


 

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