Insegurança

Opinião / 11/07/2018 - 06h00

Aroldo Rodrigues 

O último fim de semana foi conturbado para o judiciário devido ao imbróglio causado pela tentativa de soltura do ex-presidente Lula. O fato reforça o sentimento de insegurança nas instituições, dado ao alto nível de politização das decisões judiciais, inclusive do Supremo, que deveria ser uma corte isenta. Este comportamento agrava a descrença e estimula o radicalismo presente nos discursos de candidatos.

Na economia o ocorrido é mais um percalço no caminho da retomada do crescimento sustentável. A falta de confiança no ambiente de negócios e na esfera jurídica desestimula o investimento – oxigênio para o crescimento econômico. 
Paralelo a isso, o cenário eleitoral ainda é incerto, com candidatos com propostas messiânicas liderando pesquisas, inclusive o ex-presidente Lula que, preso, garante manter o discurso de candidato. A prática faz parte da afirmação de um discurso para inflamar a militância. Lula tentará se colocar na história como um candidato que fora impedido de participar do processo eleitoral por questões políticas e não por restrições judiciais, como de fato ocorre.

Dessa forma a transferência de votos do ex-presidente fica comprometida, pois as candidaturas de centro-esquerda se posicionam como receptoras deste capital político, e uma composição de candidatura única cada vez é menos provável.
Com todo o contexto narrado, a atividade econômica prossegue a passos lentos, sem estímulo adicional que revigore o ânimo dos agentes e do mercado. Os consumidores e empresários tendem a ser cautelosos até que haja definição clara de um cenário que considere a evolução dos indicadores, principalmente no mercado de trabalho .

Levantamento realizado pela Confederação das Indústrias aponta o fantasma do desemprego como um dos piores em 20 anos. A recuperação de uma crise da dimensão que passamos já é complexa em um país com segurança institucional e com um judiciário coerente, imagine em um contexto atual, em que até as decisões judiciais soam parciais e partidárias. Aguardamos que o Supremo exerça seu papel de instância máxima e dê o exemplo das certezas jurídicas necessárias para o Brasil.

*Economista, pós-graduado em consultoria empresarial, palestrante e professor universitário

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