Ipê, o legado de Sebastião a BH

Opinião / 11/08/2017 - 06h00

José Aparecido Ribeiro*

O primeiro ciclo de florada dos “Ipês Rosa” desponta em Belo Horizonte em pleno inverno com estilo e exuberância poucas vezes vista. O nome científico desta árvore frondosa que encanta “gregos e troianos”, gerações que estão chegando e as que estão se despedindo, é “Tabebuia pentaphylla”.

Existem agora quatro variedades de ipês: amarelo, roxo, branco e rosa. O ipê-bálsamo (ipê-de-El-Salvador), completa em setembro o ciclo das floradas. Em BH os Ipês são encontrados em vários lugares, nas mais diferentes tonalidades. A duração da florada pode chegar a um mês e o porte da árvore varia de 15 a 20 metros.

Diferente de outras variedades, como o ipê-branco, que normalmente dura alguns dias e é mais raro de ser encontrado, o ipê-bálsamo ( ipê-de-El-Salvador) dura várias semanas e embeleza a cidade com destaque para a Praça da Liberdade, cartão postal mais visitado da Capital. Até setembro, quem circular pela cidade poderá testemunhar uma sucessão de espetáculos coloridos dignos de contemplação.

Um privilégio que devemos creditar na conta de um prefeito que também deixou saudade pelas obras e pelo capricho com a cidade. O nome dele é Maurício Campos. O ultimo obreiro que governou BH. O que a maioria dos belo-horizontinos não sabe é quem foi o autor do plantio dos ipês, o agrônomo Sebastião Ferreira, na época vindo da Universidade Federal de Viçosa, onde era professor. BH tinha na ocasião a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, cujo secretário era o engenheiro Afonso Damásio e o vice Lindolfo Dornas.
Subordinado a esta secretaria estava o Departamento de Parques e Jardins, onde Sebastião era diretor. Um apaixonado pela natureza e foi ele que devolveu à Capital o título de Cidade Jardim. O ano era 1981, e quem tem mais de 30 anos deve se lembrar da cruzada a favor do embelezamento, que incomodou alguns, mas agradou a maioria.

A missão incluía replantar árvores nas principais ruas e avenidas, foi o que ele fez com dedicação, capricho e uma dose de paixão. A escolha da espécie não poderia ter sido mais feliz, já que os Ipês são perfeitos para o clima seco e quente. Passados 36 anos, o legado de Sebastião continua encantando os belo-horizontinos, seus visitantes e a geração que está chegando.

(*) Consultor em Assuntos Urbanos, autor do BLOG SOS Mobilidade Urbana

 

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