Leishmaniose ainda desafia

Opinião / 02/08/2018 - 06h00

Bruno Generoso Faria

A leishmaniose visceral humana é uma doença causada por protozoários do gênero Leishmania. Possui ampla distribuição mundial, tendo inclusive seu registro nos cinco diferentes continentes, sendo uma das dez doenças de prioridade absoluta da Organização Mundial de Saúde (OMS), devido a seu caráter endêmico. Possui uma característica tropical e está constantemente associada a países em desenvolvimento. No Brasil, a leishmaniose é considerada uma endemia em franca expansão geográfica, atingindo todas as regiões brasileiras.

Dois importantes componentes associados à ocorrência da enfermidade são o mosquito do gênero Lutzomya, que é o vetor da doença, e o cão doméstico, que apresenta-se como um dos principais reservatórios, sendo fonte de infecção para o mosquito vetor. 

O mosquito adquire os protozoários ao realizar sua atividade de alimentação do sangue dos cães, levando-os diretamente ao homem, quando também está realizando esta atividade. Desta forma, a leishamaniose configura-se como uma importante zoonose e de alta relevância em termos de saúde pública.

Um dos principais problemas relacionados à doença refere-se às opções terapêuticas para seu tratamento. Os fármacos empregados atualmente, no caso de humanos, são ainda os mesmos utilizados em décadas passadas, sendo os antimonais, como o Antimoniato de N-Metil Glucamina, os pricipais representantes. Além deles, fármacos como a Anfotericina B e a Pentamidina são também considerados, sendo avaliado caso a caso. Apesar de eficientes redutores da carga parasitária, estes fármacos possuem alta toxicidade, principalmente para os rins e para o fígado.

Alguns estudos realizados a nível acadêmico, em conjunto com a indústria farmacêutica, levaram à obtenção de algumas formulações menos tóxicas, como as formulações obtidas através do emprego de nanoestruturas como os lipossomas, porém este quadro ainda não é o ideal. Por se tratar de um grupo de doenças chamadas como Complexo de Doenças Tropicais Negligenciadas, ou seja, que não dispõem de um tratamento totalmente adequado e por possuir um impacto devastador sobre os indivíduos, estando amplamente distribuída por todo o globo sobretudo em países pobres e em desenvolvimento, associado as poucas alternativas terapêuticas existentes, torna-se cada vez mais evidente a grande necessidade do desenvolvimento de novos fármacos que possuam atividade direta sobre o parasita.

Alguns grupos de pesquisa, como os da UFMG, estão envolvidos neste processo, obtendo resultados promissores quanto à atividade de substâncias naturais. Porém ainda é necessário que haja maior investimento, bem como o estabelecimento de parcerias entre os setores público e privado, de modo a vislumbrarmos uma possível melhoria deste quadro.

*Professor e mestre em Fisiologia e Farmacologia pela UFMG, docente do Curso de Bacharelado em Enfermagem das Faculdades Kennedy Belo Horizonte
 

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