Louco ou empreendedor?

Opinião / 05/12/2017 - 06h00

Mauro Condé*

“Louco não é a pessoa que queima dinheiro, é a pessoa que monta uma empresa kkk”. Essa foi a frase que um empresário pronunciou ao surtar por causa de uma forte crise de pânico e estresse provocada pelo fato de ter perdido completamente o controle e a direção da sua empresa.

Em crise, foi internado em uma clínica diferente, onde foi tratado de forma natural, sem medicamentos, apenas com um treinamento sobre práticas de administração mais saudáveis, como se estivesse num SPA para melhoria de suas finanças.

Para sempre ter recursos suficientes e pagar os boletos e as contas diárias da empresa e ainda ganhar dinheiro, o empresário aprendeu que deve:
Ter um excelente controle sobre os prazos de recebimentos e pagamentos, diminuindo substancialmente o tempo decorrido entre eles, aprendendo a realizar a vital gestão de sua necessidade de capital de giro.

A síndrome de pânico e crise de estresse que ele teve foi provocada pelo fato dele ter permitido que a sua empresa continuasse realizando sempre o pagamento aos seus fornecedores em 30 dias, enquanto tem que esperar 210 dias para receber de seus clientes, após passar pelas etapas de estoque, produção e vendas de seus produtos com seus respectivos custos mensais.

Tal fato transformou sua empresa em refém do crédito bancário pelo longo período de 180 dias (210 - 30), mudando o seu status de empreendedor para pobre devedor.

Para se livrar dos problemas e se curar em definitivo, ele aprendeu que precisa:

Reduzir ao máximo o volume e o valor do seu estoque, ao mesmo tempo em que precisa reduzir o prazo médio do mesmo, o tempo em que ele fica parado nesse estado dentro da empresa.

Reduzir significativamente seu longo ciclo (tempo) de produção.

Negociar com seus fornecedores para aumentar o prazo médio de pagamento junto aos mesmos, mostrando para eles que tal medida ajuda a aumentar as vendas das duas partes.

Antecipar seus ganhos – reduzindo ao máximo possível o prazo médio de recebimentos das vendas aos clientes, através de adiantamentos conseguidos junto aos próprios clientes e ou antecipação saudável de recebíveis em instituições financeiras, incorporando o impacto das despesas financeiras (principalmente juros bancários) à rentabilidade do negócio.

A diferença entre o louco e o empreendedor é que o segundo não queima dinheiro, aprende a administrá-lo de forma inteligente.

(*) Palestrante, consultor e fundador do blog do maluco

 

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