Momentos históricos

Opinião / 03/07/2018 - 06h00

Aristóteles Drummond*

Cada momento tem suas particularidades A história é dinâmica, os acontecimentos nem sempre são de fácil controle e justificam arranhões na democracia que todos desejam. É preciso que o tempo mostre em quais circunstâncias os fatos se deram.

A história do Brasil é também rica em eventos que ficaram sem explicação. A começar pela derrubada da monarquia, sem respaldo popular e da sociedade, em geral. Teria sido mais uma questão pessoal, habilmente explorada por um talentoso militar, o general de Brigada Benjamin Constant, que foi o verdadeiro autor da queda do imperador. Depois, em 1964, outro general menos graduado, de Divisão, Olímpio Mourão Filho, foi o responsável pelo movimento, que eclodiu em Minas, com apoio integral do governador Magalhães Pinto. 

Fala-se muito na “ditadura Vargas”, quando o estadista teve apenas oito de seus 19 anos de poder sem respaldo na Constituição. Primeiro, foi eleito em pleito indireto e, depois, no voto popular. E o Estado Novo surgiu de um momento histórico grave pelo qual atravessava o mundo e o Brasil, em particular. 

Vargas, com amplo apoio político e popular, manteve o Brasil em relativa paz durante anos de muita agitação lá fora, além de uma guerra mundial. Na mesma ocasião, regimes semelhantes existiam na Itália, Alemanha, Espanha, Portugal, Argentina e outros países. Sem contar a URSS, que, de Moscou, comandava movimentos revolucionários, como a Intentona de 35 aqui, o levante na Marinha de Portugal e dava apoio a uma das facções em luta na Espanha. O mundo evoluiu, as sociedades passaram a praticar o saudável convívio democrático e a alternância de poder, com relativa ordem.

A informação é uma conquista fantástica da humanidade. Tudo se sabe em questão de minutos e, por isso, o povo fica informado e identifica os melhores caminhos a seguir. A esta altura do drama venezuelano, não parece que os grupos políticos brasileiros identificados com aquele regimevenham a ter alguma significância nas próximas eleições. Mas, se tiverem, devemos aceitar, embora lamentando. E em ordem. 


*Jornalista e escritor
 

 

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