Mulheres injustiçadas na ciência

Opinião / 05/04/2018 - 06h00

Profa. Rosangela Silqueira Hickson*

Apesar da crença de que a ciência é um reduto de homens, cada vez mais emergem mulheres que, embora silenciadas, conseguiram registrar sua marca na história. Na verdade, ainda somos poucas. Mas sempre existimos em diferentes áreas. Como na paleontóloga, em que Mary Anning (1799-1847) revolucionou o conhecimento da pré-história com suas descobertas de fósseis de dinossauros, passando pela matemática, onde Ada Lovelace (1815-1852) é considerada precursora da programação de computadores.

No caso do prêmio Nobel, somente 48 mulheres ganharam o prêmio. Apenas 5% dos 881 premiados desde 1901. 
O prêmio Nobel, está cheio de injustiças com as mulheres. Podemos citar 3 exemplos. Apesar de ser uma das responsáveis pela fissão nuclear, a austríaca Lise Meitner, foi excluída do Nobel de Física de 1944, entregue a seu colaborador Otto Hahn. Rosalind Franklin foi outra injustiçada. Apesar de aparecer ao lado da dupla hélice do DNA em sua fotografia 51, a história atribuiu a James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins, que usaram a imagem sem dar o crédito à verdadeira autora. E o caso da cientista irlandesa Jocelyn Bell, que descobriu os pulsares com 24 anos, mas teve o prêmio Nobel pela descoberta dado aos seus superiores.
Uma lista inaugurada por Marie Curie em 1903, que é provavelmente a cientista mais admirada e, por enquanto, fechada em 2015 pela jornalista bielorrussa Svetlana Alexiévich (Literatura) e a cientista chinesa Youyou Tu (Medicina). 

Mas vamos falar um pouco sobre uma das cientistas pioneiras. Grace Hopper, a mulher que tornou a linguagem do computador mais humana. Foi uma cientista da computação responsável pela criação do Cobol, utilizado até hoje. Era doutora em matemática pela Universidade de Yale e é considerada a mãe da programação de computadores. Criou a Linguagem Comum Orientada para Negócios (COBOL, na sigla em inglês), a primeira linguagem complexa de computador, que é utilizada até hoje por empresas de todo o mundo.

Abandonou a matemática para ingressar na Marinha e chegou a patente de contra-almirante.
O lema do navio era “aude et effice - ouse e faça”. “Se é uma boa ideia, prossiga e leve-a adiante. É muito mais fácil pedir desculpas que conseguir a permissão necessária.”

E não poderíamos encerrar este artigo sem falar a respeito de cientista homem: o físico britânico Stephen Hawking.
Apesar de ser diagnosticado com uma séria doença degenerativa em 1964, que segundo as previsões médicas, não lhe daria tempo para completar o PHD ele viveu até 76 anos, morrendo em março de 2018. Só o fato de ter sobrevivido todo este tempo com uma doença tão cruel já seria uma façanha, mas além disto ele se tornou um dos cientistas mais famosos de todo mundo.

*Doutora em Bioinformática, coordenadora do Mestrado profissional em Tecnologia da Informação aplicada a Biologia Computacional, professora dos Cursos de Tecnologia da Informação da Faculdade Promove de Tecnologia.
 

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