O que é risco político?

Opinião / 06/02/2018 - 06h00

Aristóteles Drummond

No mundo moderno, globalizado, ganha importância a questão da segurança jurídica e do chamado risco político. Quem poderia prever que um país como a Venezuela, maior reserva e produção de petróleo da América Latina, por mudança política, passaria a ser uma ditadura que, além de levar a população à extrema dificuldade no abastecimento e na saúde pública, ficaria inadimplente no honrar compromissos internacionais?

Em Portugal, na Europa democrática, o governo socialista critica empresas privatizadas como a EDP, de eletricidade, e os Correios. E pode ainda intervir na TAP, cujo consórcio vencedor da licitação, no qual a brasileira Azul faz parte, teve a ingenuidade de concordar com mudanças no contrato constante do edital de venda. A Volkswagen, que vem sendo sabotada pelos sindicatos, com o apoio tácito do governo, pode levar uma linha de produção para o Marrocos, eliminando 3.500 bons empregos diretos no país.

No Brasil, o risco político pode afetar investimentos e a taxa de juros dos empréstimos internacionais – e, claro, ter forte reflexo social com o agravamento do desemprego. No entanto, não podemos ignorar que o ambiente para o investimento melhorou muito com o atual governo, que pensa bem e age mal. Mas como explicar que a Justiça no país pode influir na política de pessoal de um grupo privado? Como explicar que uma empresa privatizada não pode ser vendida ou se associar a outra? E mais: como confiar numa economia condenada por um sistema previdenciário inviável?

Embora se saiba que pesquisa eleitoral antes da campanha geralmente não reflete o que ocorrerá, não deixa de preocupar os dois nomes melhor colocados por terem condições de uma avaliação positiva pelo mais desavisado dos investidores. O drama da segurança pública, que assusta executivos e técnicos de fora, é agravado pela total impunidade em atos de barbárie, ocupação e depredação de propriedades. Quem foi preso na destruição de exemplar empresa familiar rural recente na Bahia? Faltam vozes nos meios empresarial e político para chamar a atenção da sociedade.

Resta-nos lamentar o vazio deixado por homens que souberam lutar por um Brasil mais empreendedor e progressista. Entre eles: Roberto Campos, Rui Gomes de Almeida, Roberto Simonsen e Fábio de Araújo Mota.

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