O risco de uma arma nas mãos

Opinião / 27/10/2017 - 06h00

Maurilio Pedrosa*

Fomos impactados, na última semana, pela ação violenta de um adolescente em Goiânia, que com a arma de seus pais, policiais militares, matou e feriu colegas em sala de aula.

Todos os anos, justamente o período entre 24 e 30 de outubro é marcado por análises e discussões sobre o polêmico tema do desarmamento. A semana do desarmamento foi instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas com o objetivo de colocar em pauta as consequências materiais e humanas geradas pela fabricação, comercialização e uso das armas de fogo no mundo.

O desarmamento no Brasil, nas últimas décadas, gerou atenção e debate em dois momentos, especialmente. Em 2005, quando se realizou um referendo onde 63% da população se manifestou como favorável ao comércio legal de armas e munição. E em 2003, quando passou a vigorar o Estatuto do Desarmamento: ficou então regulamentada a restrição da posse e do porte de armas. 

Segundo dados do 10º Anuário publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, somente em 2015 foram apreendidas 110.327 armas no país. Dentre elas, a partir dos informes da população ao 181 Disque Denúncia de Minas, as polícias Militar e Civil apreenderam, no mesmo ano, 2.437 armas de fogo e mais de 26 mil unidades de munição no estado.
Ainda assim, o impacto do uso de armas de fogo é tremendamente significativo. De acordo com o Atlas da Violência 2017, também publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pelo Ipea, em 2015 foram registrados 59.080 homicídios no país e, destes, 41.817 - mais de 70% - realizados por armas de fogo.

O Minas Pela Paz vivencia e identifica gargalos para se alcançar a eficiência na segurança púbica, mas acredita que não será armando a população que as soluções irão surgir. Atuamos em práticas de educação, prevenção e respeito entre as pessoas. Reconhecemos que o combate à criminalidade é um dos imensos desafios sociais que o Brasil precisa superar, mas que seja com mais estratégia e inteligência; que seja com menos armas, com menos mortes nas ruas e nas e escolas do nosso país.

(*) Gestor do Minas Pela Paz

 

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