Os dilemas do formando em Direito

Opinião / 03/08/2017 - 06h00

Carla Carvalho*

O aluno encontra-se diante de grandes impasses no fim do curso superior em Direito, envolvendo, além de complexas decisões sobre carreiras a seguir, um excesso de atividades. 

A um só tempo, o aluno precisa: (i) terminar as disciplinas da graduação; (ii) elaborar o TCC, muitas vezes sua primeira experiência de escrita científica; (iii) completar as horas de estágio e atividades complementares; (iv) preparar as festividades de formatura; (v) buscar inserção no mercado de trabalho, especialmente os que não têm emprego fixo ou pretendem redirecionar a atuação profissional; e (vi) finalmente ser aprovado no exame da OAB, com médias de reprovação de mais de 80% dos candidatos.

Trata-se de período duro e intenso de vida, e se o estudante não tiver foco, será fácil se desviar dos objetivos e atrasar sua formação. Os cursos de Direito no Brasil apresentam uma carga horária elevada, cobrindo disciplinas que em muitos países são deixadas para a pós-graduação. Por outro lado, conferem ao aluno formação abrangente, com uma visão geral de diversas áreas de atuação. O aluno precisa, assim, ser preparado para a maratona que o espera na reta final do curso, recebendo instruções que vão além do conteúdo acadêmico, como organização e técnicas de estudo, estratégias de inserção no mercado de trabalho.

Essa organização não deve ser relegada aos últimos meses de curso, fazendo parte de um cronograma que se estabelece já desde o início. Por exemplo, o cumprimento das horas de atividades complementares deve ser priorizado nos primeiros semestres, quando as matérias trazem menor grau de exigência e o aluno não está tão atribulado com outras atividades. O TCC não deve ser deixado para os últimos instantes, sendo importante que se incentive o aluno já a partir da metade do curso a explorar temas e preparar leituras para a construção de um trabalho autêntico e relevante. A matrícula em disciplinas irregulares deve ser feita o quanto antes.

Por fim, para o sucesso na OAB, a dica é investir na organização de estudos, com o estabelecimento de estratégias, ainda que com recurso a plataformas e orientações exteriores. Tenho acompanhado dois instrumentos bem eficazes: internamente, a equipe pedagógica da instituição realiza atendimentos aos alunos, auxiliando-os no estabelecimento de cronogramas de estudo, com resultados animadores. Também estabelecemos convênio com um curso preparatório para a OAB, o Saraiva Aprova, a fim de proporcionar ao aluno uma revisão dos conteúdos via plataforma virtual direcionada às necessidades individuais de cada um, com acesso a um programa de coaching. O resultado dos investimentos em organização de tempo e estudos é expressivo, poupando ao aluno investimento de mais tempo e dinheiro para a aprovação no Exame da OAB.

(*)  Mestre e Doutora em Direito pela UFMG, advogada, sócia de Dadalto & Carvalho Sociedade de Advogados e professora do curso de Direito da Faculdade Promove

 

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