Queda na indústria

Opinião / 07/03/2018 - 06h00

Aroldo Rodrigues*

Após quatro meses seguidos de crescimento, a indústria brasileira apresenta um resultado negativo. A produção industrial caiu 2,4% em janeiro deste ano em comparação com o ano passado. Essa foi a maior queda desde fevereiro de 2016, quando o setor retraiu 2,5%. O resultado negativo foi puxado pela indústria automobilística que recuou 7,6% no primeiro mês do ano. A demanda de diversas matérias primas para a produção de automóveis faz com que este produto tenha grande influência no resultado do setor. 

Mesmo com a queda do mês de janeiro, o dado não pode ser analisado isoladamente. O setor automotivo, por exemplo, cresceu em dezembro 9,1%. Quando analisamos o resultado dos últimos 12 meses, o dado também é favorável: crescimento de 2,8%. Quedas setoriais isoladas são normais para o período de recuperação ainda incipientes que estamos atravessando. O mercado segue confiante na gradual recuperação da economia.

Prova disso são os dados divulgados pelo Banco Central através de seu “Boletim Focus”. A projeção de crescimento subiu 2,89% para 2,90%. Já para 2019, o crescimento projetado se manteve estável em 3%. 0,01% de revisão aparenta ser muito pouco, mas demonstra a tendência de otimismo do mercado. Ainda na esteira de boas notícias, a previsão de inflação também foi reajustada, mas para baixo. Na semana passada o mercado previa uma inflação de 3,73% em 2018, nesta semana a projeção foi alterada para 3,70%.

Estas projeções podem parecer interessar somente a grandes industriais e investidores, mas o fato é que a melhora nestes índices influencia positivamente a vida de todos, principalmente a queda da inflação, proporcionando a manutenção do poder de compra com relação ao tempo. Curioso é que as melhoras nos indicadores econômicos não provocam impacto na aprovação do presidente Temer. Atribuo tal reprovação à entrada conturbada no governo, enfrentamento de pautas desgastantes e, é claro, os recorrentes escândalos envolvendo o presidente. 

Aprovação do Executivo à parte, fato é que a recuperação está ocorrendo, o índice divulgado hoje na minha visão não preocupa, é mais um ajuste setorial no caminho da recuperação gradual e sustentável.

*Economista
 

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