Reflexões sobre o Dia do Produtor Rural

Opinião / 02/08/2017 - 06h00

Zé Silva *

Na semana passada, no dia 28 de julho, comemoramos mais um Dia do Produtor Rural. Dias comemorativos assim são uma medida simples, mas adequada para ensejar reflexões e diálogos sobre as possibilidades e situação de profissões, atividades e funções exercidas diariamente por milhões de brasileiros.

Dessa forma, cumprimentando os produtores rurais, uma atividade que também exerço, além de agrônomo e extensionista, quero externar mais uma vez a preocupação com o futuro de gerações de jovens que ainda resistem e vivem e trabalham no campo. 

De acordo com a Secretaria Especial de Desenvolvimento Agrário, nosso país tem cerca de 8 milhões de jovens entre 18 e 29 anos vivendo e trabalhando no meio rural. Da capacidade do nosso país em prover condições de vida digna e oportunidades de formação desses jovens depende o futuro não apenas do campo, mas de todo o Brasil. 

Em que pese os esforços feitos até aqui pelos governos, o meio rural convive diariamente com uma forte migração de sua juventude. Esforços quase que exclusivos do governo federal, já que outras esferas, estados e municípios, fazem muito pouco para modificar esse quadro de êxodo e perda de capital humano para o desenvolvimento rural. 

Assim, ainda são poucas e de pequena eficácia as políticas públicas voltadas para a formação dos jovens rurais em seu ambiente de vida e trabalho. Sem essas políticas, alinhadas em foco, planejamento e gestão, para serem implementadas de maneira mais decisiva, será difícil romper essa corrente de êxodo e perda de oportunidades para o desenvolvimento econômico e humano no campo. 

Temos abordado aqui diversas politicas públicas para a juventude rural. E praticamente não foi possível citar nenhuma que tenha sido criada e desenvolvida por governos estaduais ou municipais. Pode ser falta de recursos, mas pode ser também desconhecimento dos riscos que esse abandono acarreta para a economia, a cultura e a qualidade de vida para o nosso país. E não apenas para o meio rural, como pode parecer à primeira vista. 

Nas comemorações do Dia do Produtor Rural, nossas reflexões foram essas, sobre a urgência de politicas e apoio para a juventude rural. Sem as quais, em breve não teremos o que comemorar em 28 de julho, pois o campo cada vez mais se envelhece, e as famílias ficam sem sucessores, sem a participação dos jovens para tocar projetos inovadores que exigem o acesso e domínio de novos conhecimentos e tecnologias.

(*) Agrônomo, extensionista rural,
deputado federal pelo Solidariedade/MG

 

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