Terras raras: as “sementes” de alta tecnologia

Opinião / 18/05/2017 - 06h00

Vanessa Aparecida Alves de Paula Soares*

De que são feitos o computador, a televisão, o celular, o iPod ou a lâmpada? Todos, sem exceção, contêm minerais de terras raras–TR. Esse grupo engloba um total de 17 minerais com propriedades eletromagnéticas, fundamentais para algumas indústrias de alta tecnologia, como a de fabricação de turbinas eólicas, veículos híbridos e mísseis. Nada menos que 97% do fornecimento mundial dos mesmos provêm da China. TR são elementos raros e cruciais para as chamadas tecnologias de ponta, especialmente japonesas.

As TR podem ser encontradas em outros países, como Austrália, Canadá, Estados Unidos, Índia, Malásia, Rússia e Brasil. No entanto, são difíceis de extrair em volumes economicamente viáveis. Atualmente, a China tem reduzido a extração e se tornado mais rígida quanto à mineração e exportação, abrindo oportunidades para ascensão de outros países nesse mercado, incluindo o Brasil.

De acordo com Maria F. L. Almeida, do Departamento de Engenharia de Produção PUC-Rio “a demanda crescente de produtos que contêm/usam as TR no mundo estimulará, no Brasil, a atração de empresas de alta tecnologia baseadas em TR com foco em cadeias consideradas estratégicas. O Brasil passará, gradativamente, a ter expressão no mercado global como fornecedor de ímãs permanentes, fósforos de TR, catalisadores, ligas metálicas portadoras de TR, pós para polimento e vidros especiais”. 

Um relatório da Agência de Mapeamento Geológico dos EUA revelou que o Brasil concentra as maiores reservas desses materiais, dispersos por toda a crosta terrestre. Riqueza que, se bem explorada, pode colocar o país, de vez, na cadeia de produção tecnológica. Infelizmente, as TR são um exemplo adicional de recursos brasileiros sub-aproveitados graças à falta de políticas estratégicas de gestão. Um dos principais desafios recentes do Brasil é a retomada dos processos de extração, separação e purificação de TR em larga escala, o que envolve a especialização de numerosos profissionais e o rompimento das fronteiras entre diferentes áreas do conhecimento. A superação desse desafio requer, portanto, o incentivo não só às técnicas de obtenção/purificação de TR, mas também ao estudo de suas aplicações e à confecção de seus produtos finais com tecnologia nacional.

O profissional graduado em Engenharia de Minas deve ser capacitado para atuar em diversas áreas da mineração, especialmente as que exigem novas tecnologias, além da responsabilidade com o meio ambiente, fatores diferenciais e extremamente importantes nesse mercado promissor dos minerais de TR. Além de ter aptidão para atuar em pesquisa e tecnologia mineral, beneficiamento de minérios, dentre outros processos desde o planejamento da lavra até a obtenção do produto final destinado à metalurgia. 

(*) Engenheira de Minas, mestre em Tecnologia Mineral e especialista em Sistemas Mínero-Metalúrgicos. Professora do curso de Engenharia de Minas das Faculdades Kennedy de Belo Horizonte

 

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