Torna-te quem tu és

Opinião / 10/07/2018 - 06h00

*Mauro Condé

Acabo de voltar de excelente viagem rumo ao conhecimento, usando bons livros clássicos como meio de transporte. Eles me levaram para Viena, na Áustria do Século XIX, no ano de 1888, onde caí na casa onde estava o filósofo Friedrich Nietzsche.Ele me recebeu para um bate -papo e eu fui logo pedindo:

–Por favor, me ensine algo que eu ainda não sei e que tenha poder de mudar a minha vida para melhor.
Nietzsche me respondeu:

“Torna-te quem tu és!

Controle o seu destino, antes que alguém mais queira controla-lo! Viva mais a vida que você deseja viver e menos a que os outros querem que você viva!

Demore o tempo que for para ver o que você quer da vida e depois que decidir não recue ante nenhum pretexto porque o mundo tentará te dissuadir! Suspeite, desconfie e questione todos os pensamentos e crenças – desafie a sabedoria convencional.

Investigando a causa das principais angústias das pessoas, percebi a pressão que elas sentem por terem que viver num mundo confuso e duplicado, onde são incentivadas a viver adiando a vida real, na esperança de um dia viver uma vida ideal, caso demonstrem crença e obediência a uma verdade pregada de acordo com conceitos binários (certo ou errado, bem ou mal, céu ou inferno).

Eu questionei esse modelo criado pelos filósofos Sócrates e Platão e que foi martelado, por séculos, na mente das pessoas por diferentes instituições. Também propus uma alternativa de valorização da vida ao estilo dos gregos bem mais antigos que, em oposição aos cristãos do meu tempo, viviam intensamente a vida no “aqui e agora”, levando a magia e a tragédia da vida a sério. Tragédia era tragédia e fazia parte da vida. Não existia para eles, como existe para os cristãos, um céu onde a tragédia um dia será transformada em comédia. Para não sucumbirem ao pessimismo, eles criaram formas de transformar a tragédia em beleza (através das artes e da ciência).

Se a beleza não tem o poder de eliminar as eventuais tragédias da vida, pelo menos ela as torna suportáveis.Geralmente, são os que sofrem muito os grandes produtores da beleza e os que param de sofrer. Viva de forma a buscar a beleza da vida nas artes, na ciência e nas coisas que te fazem se sentir melhor. Viva cada segundo como se estivesse pintando uma obra de arte – a obra da sua vida!”

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.

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